segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Exposição de Pintura - Rafaela Martins
Rafaela Martins, natural de Moçambique e a residir em Portugal, desenvolveu desde muito nova o gosto pelo desenho e pela pintura. Foi a vontade de mostrar o que lhe vai na alma que a levou a desenvolver o gosto pela pintura e pelas artes plásticas e a criar o seu estilo muito próprio e caracteristico.
Nos seus trabalhos usa vários tipos de materiais, tais como, tintas de acrílico, tecidos, missangas, areia em tela, e outros, dand...o aos seus trabalhos formas, texturas e cores que os tornam únicos e belos.
Sempre inspirada pela paisagem afircana, como o pôr-do-sol, os cheiros, as cores e as culturas, Rafela Martins mostra-nos trabalhos que nos fazem sonhar, reviver e até sentir emoções esquecidas.
Esta exposição na Acrenarmo, vai ao encontro do que melhor pudemos fazer para divulgar os lindos trabalhos que Rafaela Martins cria, como permitir a todos a visita deste espaço que gostamos de dizer “de todos nós e para todos nós”.
A inauguração da exposição será no dia 8 de Dezembro 2010 pelas 16,30h
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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Encontro Nacional de Naturais e Ex-resid.Moçambique/26 anos da ACRENARMO

Olá Amigos
Cá estamos nós com mais um Encontro Nacional de Naturais e Ex-Residentes de Moçambique.
Moçambique é aquela terra linda que tantas saudades nos deixou e nos mantém unidos até hoje.
A Acrenarmo têm vindo ao longo dos últimos 26 anos a preservar o convívio saudável entre esta maravilhosa gente caracterizada pela boa disposição e por este estado de espírito contagiante.
É nestas alturas que muitas amigos de longa data se reencontram ao fim de muitos anos revelando-nos autênticos casos de amizade, exemplo para todos nós. Só estes momentos, compensam o trabalho que a direcção da Acrenarmo voluntáriamente têm vindo a desenvolver.
Este ano comemoramos o 26º aniversário e como prenda, queremos a vossa companhia.
Já perdemos a conta dos reencontros que proporcionámos, das lágrimas de alegria que presenciamos, do desabrochar de sentimentos que sentimos. Valeram todos a pena!
É com este espírito que gostariamos de convidá-lo a estar connosco no 26º aniversário da Acrenarmo / Encontro Nacional de Naturais e Ex-resid.Moçambique.
De ano para ano, os grupos ficam cada vez mais pequenos e consequentemente mais dispersos. Pois queremos contrariar essa tendência e retomar os grandes encontros de outros tempos, onde reine a boa disposição e alegria.
Por fim, apelamos que subscrevam a manutenção deste projecto que sobrevive há mais de 26 anos. Venha ser sócio da Acrenarmo e participar nesta missiva que é a manutenção da memória comum a todos nós junto das gerações futuras e da população em geral.
Queremos crescer, não só em qualidade, mas também em quantidade com mais e mais amigos. Queremos no futuro chegar mais perto de todos os que partilham estas vivências, de norte a sul do país.
Voçês são a nossa matéria-prima e os nossos únicos clientes.
Kanimambo
Direcção da Acrenarmo
*********************************************************
11 de Dezembro de 2010 pelas 13,00 h
no
EMENTA
Aperitivos á chegada em buffet:
Pão, Presunto Ibérico, Frutos sêcos
Martini, Whisky, Gin, Vinho erde, Águas, Sumos
***
Entradas:
Pasteis de Bacalhau, Rissóis, Croquetes, Orelheira de Coentrada, Salada de Feijão Frade, Chamuças, Filetes de Pescada,
Com Arroz de Tomate
***
Carnes:
Assado Misto com Cabrito Assado no Forno e Lombo Assado
***
Sobremesas:
Salada de Frutas e Leite Creme Queimado
***
Bebidas:
Vinho Tinto, Vinho Branco, Sumos, Águas
Digestivos, Café
***
Lanche:
Caldo Verde, Tábua de Queijos, Corbeille de Frutas, Frutos Secos, Bebidas
Bolo do 26º Aniversário da ACRENARMO
***
Animação
Musico para animação de Baile
Nota: Refeição de dieta, sujeita a aviso prévio.
O Manjar do Marquês
Estrada Nacional 1 (IC2) Km 151
3100-373 Pombal
Preços:
Criança 0 aos 5…………………………….0,00€
Criança 5 aos 10………………………….15,00€
Adulto……………………….……………30,00€
Contactos:
- Graça Gaio – 919 889 640
- Paulo Batista – 918 114 235
- Acrenarmo - acrenarmo@gmail.com
Data limite das inscrições: 06 de Dezembro de 2010
NIB ( CGD ): 0035 0393 0005 9377 4311 3
Atenção:
Marcação é aceite apenas com pagamento do almoço.
É aconselhado levar para o almoço, comprovativo de transferência.
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quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Noite de Fados da Acrenarmo
Terça-feira, 7 de Dezembro às 21:30h
Guitarra : Joaquim Domingues
Vozes : Idília Pedrosa e Acácio Norte
É mais uma noite de tradição onde o fado é a palavra de ordem, e que assinala o retorno de Acácio Norte como fadista, à casa que ajudou a criar.
Acácio Norte é acompanhado de excelentes musicos que prometem uma noite de tradição e de boa disposição.
A entrada é de apenas 7,50€ para sócios e de 10,00€ para não sócios.
O preço inclui, caldo verde e vinho, como não poderia deixar de ser.
Vamos cantar "até que a voz nos doa" e conviver como tanto gostamos.
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Apresentação do romance - MEMÓRIAS DE UM AMOR - Jorge Pereira
Sinopse
‘Memórias de um amor’ retrata uma história de amor e de vida de Joaquim e Adelina contada pelo seu único filho.
Dois seres que tiveram que ‘fugir’ para longe das suas origens para sentirem-se
muito felizes. Aos 45 anos tiveram que puxar a fita atrás, 20 anos, e reconstituir
a sua independência financeira.
Quando começavam a usufruir
do fruto da sua luta e de trabalho árduo Deus chamou-os para descanso eterno.
Acreditamos que muitos, ao lerem este belo romance, irão rever-se e sentir-se-ão como protagonistas do ‘Memórias de um Amor’.
Jorge Manuel de Sousa Pereira, Nascido em Lourenço Marques - Moçambique, Ex-jornalista desportivo no , Ex-profissional de Rádio, Ex-dirigente desportivo, entre outros, lança agora o seu primeiro romance na Acrenarmo no dia 8/12/2010 pelas 18,00h.
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segunda-feira, 1 de novembro de 2010
XV ACASO - FESTIVAL DE TEATRO
XV ACASO - FESTIVAL DE TEATRO
Leiria, Batalha, Marinha Grande, Pedrógão Grande
(23 Outubro a 30 Novembro)
Sábado - 23 Outubro - ACRENARMO - Leiria - 22h
..............
Terça - 30 Novembro - ACRENARMO - Leiria - 22h
"Improvisos no arame"
Teatro, música, dança, poesia
Espaço de apresentação de momentos singulares, não repetíveis, improvisados e sem ensaios prévios, (salvo rara excepção), sem ordem programática ou cronológica que só toma forma quando o arame está na mão do artista que nos vai dizer algo, num curto espaço de tempo, e possa dar lugar a que os inscritos possam participar.
Esta edição de "Improvisos no arame" abre as portas do XV ACASO - Festival de Teatro.
Participantes: Ana Moderno, Andreia Estrada, António Cova, Constantino Alves, Dora Conde, Pedro Miguel, Pedro Oliveira, Simão Vieira, Vânia Jordão, entre outros
Entrada Livre
Organização : Grupo de teatro "O NARIZ"
Apoio : Acrenarmo- Associação Cultural e Recreativa dos Naturais e Ex-residêntes de Moçambique (entre outros)
Descontos para sócios da Acrenarmo nos diversos espetáculos pagos
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sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Lanche partilhado com sabor a Moçambique - 23 Outubro 2010 - 16h
A ideia é o pessoal trazer o lanche e partilhá-lo com toda a gente. Lanche esse que tem de ter algo com sabor moçambicano para matar saudades.
Resumindo...é um pretexto para nos encontrarmos e reunirmos mais uma vez com pessoas bonitas e à volta de comida apetitosa e uma música animada para arrastar o pé.
Tragam os vossos amigos!
Pedimos que confirmem a presença, apenas os que tiverem mesmo intenção de vir, pois teremos de preparar a sala de acordo com o número de pessoas previstas.
ATENÇÂO: Este pequeno convívio não substitui o convívio de Aniversário / Encontro Nacional programado para 11 de Dezembro
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domingo, 3 de outubro de 2010
Histórias de um passado em Moçambique - "Aventura"
AMIGOS :
São tantas as lembranças...diria... as saudades, que relatá-las é sempre uma satisfação. Aqui vai uma.
Pelos recuados anos de1965, uma jovem mamã saia de INAMINGA para levar a sua filhota, cheringoma de poucos dias, ao pediatra. Aventura! Os comboios eram pouco frequentes e nem sempre conciliaveis com as datas das consultas e a actividade profissional da jovem mamã .
Então jogavamos o jogo, aceite por todos nesses tempos-SOLIDARIEDADE.
Os chefes de estação preparavam com a jovem mamã a tal (Aventura)- propunham : -vai mum ( mercadorias) pedimos para Sena que metam na composição um vagão com cabine de condutor...mas não leva iuz ...leva um toch...e cobre bem a alcofa de bébé com o mosquiteiro !DESAFIO ACEITE.
Na hora marcada lá estavam as aventureiras -a jovem professora e a sua filhota preparadas para viajar, num enorme comboio, carregado de madeira, para 6 horas de viagem.A bébé mamou e dormiu como um anjo e a mamã estremeceu a cada ...liga e desliga vagão, nas poucas e demoradas paragens.Pela madrugada chegamos ao Dondo TZR....e agora..., com a gentil ajuda de um carregador, cada um pegando uma argola da alcofa seguimos usando as travessas de madeira da via ferrea, até à verdadeira estação de passageiros. Fim da AVENTURA-----DONDO-BEIRA.-----Que saudades!... Alguem conhece estes locais ?.......Gostaria muito de saber.
Esmeralda Galvão
São tantas as lembranças...diria... as saudades, que relatá-las é sempre uma satisfação. Aqui vai uma.
Pelos recuados anos de1965, uma jovem mamã saia de INAMINGA para levar a sua filhota, cheringoma de poucos dias, ao pediatra. Aventura! Os comboios eram pouco frequentes e nem sempre conciliaveis com as datas das consultas e a actividade profissional da jovem mamã .
Então jogavamos o jogo, aceite por todos nesses tempos-SOLIDARIEDADE.
Os chefes de estação preparavam com a jovem mamã a tal (Aventura)- propunham : -vai mum ( mercadorias) pedimos para Sena que metam na composição um vagão com cabine de condutor...mas não leva iuz ...leva um toch...e cobre bem a alcofa de bébé com o mosquiteiro !DESAFIO ACEITE.
Na hora marcada lá estavam as aventureiras -a jovem professora e a sua filhota preparadas para viajar, num enorme comboio, carregado de madeira, para 6 horas de viagem.A bébé mamou e dormiu como um anjo e a mamã estremeceu a cada ...liga e desliga vagão, nas poucas e demoradas paragens.Pela madrugada chegamos ao Dondo TZR....e agora..., com a gentil ajuda de um carregador, cada um pegando uma argola da alcofa seguimos usando as travessas de madeira da via ferrea, até à verdadeira estação de passageiros. Fim da AVENTURA-----DONDO-BEIRA.-----Que saudades!... Alguem conhece estes locais ?.......Gostaria muito de saber.
Esmeralda Galvão
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Exposição de Bonecos em Banda Desenhada da autoria de António Elias
No próximo dia 16 de Outubro, iremos realizar na nossa sede uma exposição de Bonecos em Banda Desenhada da autoria de António Elias.
Trata-se se um amigo da Acrenarmo que nos tem auxiliado com toda a sua boa vontade e dentro dos meios que dispõe.
O tema da exposição aborda os acontecimentos do dia-a-dia das pessoas e do País, onde as situações mais banais são transformadas em humor.
António Elias não faz do desenho profissão, mas sempre que pode, elabora estes "rabiscos", como lhe costuma chamar.
"O António Sérgio Elias foi um dedicadíssimo colaborador do Notícias de Leiria, na época em que eu o dirigia.
Generoso, disponível, interessado, o António Sérgio Elias evidenciava, nos seus bonecos, um traço personalizado e distinto, e um sentido de humor aguçado, além de uma imensa curiosidade e atenção ao mundo que nos rodeia, características também presentes nos seus textos.
Diria que o António Sérgio Elias personificava o assinante-tipo do Notícias de Leiria, como o imagináramos: um amigo e um embaixador do jornal, um repórter do quotidiano, um colaborador interessado.
Ainda hoje recordo e agradeço a sua disponibilidade, salientando a amizade e consideração, que sei serem mútuas, e que perduraram até hoje. Um grande abraço para ele e as maiores felicidades."
António José Laranjeira
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Exposições
Histórias de um passado em Moçambique - "Vida por Vida"
Estávamos num qualquer dia de Fevereiro de 1974 ao fim da tarde.
O meu “mainato”, mais que isso era um grande amigo, partilhávamos dia a dia o que nos restava para nos alimentarmos. Nesta luta de saciarmos o estômago já que o que restava era algum arroz, feijão e farinha que era o “pão-nosso de cada dia”, mas tomado pelos bichinhos (gorgulho). Ainda me recordo e bem que o feijão era cozido em bidões de gasóleo! O pão esse vinha sempre com “brinde” como o bolo-rei, só que os brindes eram sempre esses indesejáveis parasitas.
Bem voltemos à “vida por vida”.
Nesse fim de tarde o Inácio disse-me: « roubei dois ovos ás galinhas que andam lá no aldeamento ». Estávamos perante um “banquete”. Arranjaram-se uns pauzitos e pouco depois já haviam brasas. A panela essa era uma lata da margarina made in South África. Os nossos olhos deslumbravam-se e a barriga essa preparava a passerelle para tão apetitosa iguaria.
Eram quase 18h e a escuridão começava a abater-se. Mas qual quê, o que interessava era o “festim”. Enquanto eu mirava o conteúdo da lata, o Inácio deu uma cambalhota para a retaguarda e ao mesmo tempo gritava,« nosso cabo Afonso, saída (expressão utilizada quando se ouvia o estampido seco de um morteiro). Logo de imediato faço a mesma acrobacia e ficamos atrás de um pequeno murete onde se faziam as refeições. Decorreram talvez uns 3 segundos e eis que a morteirada cai precisamente em cima da nossa ementa! Nunca mais vimos nem a lata, tão pouco os ovos e as brasas essas sumiram. Ficou em seu lugar uma cavidade produzida pela granada de morteiro.
Entretam-to desencadeia-se uma flagelação ao nosso destacamento. Não houve baixas, ou antes, houve nos nossos estômagos amargurados.
Valeu a vida que ainda hoje desfruto. Quanto ao Inácio nada mais soube dele quando sai do aquartelamento. Fiz algumas diligências, mas nada. Fico com a amargura de perder esse “elo” da minha vida.
João Afonso
24/09/2010
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Histórias de um passado em Moçambique
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Mostra de Pintura de Tânia Bailão Lopes
Tânia Bailão Lopes
Nasce a 11 de Agosto de 1983, em Leiria.
Inicia o seu trabalho na área das Artes Plásticas em 1999, através de várias técnicas e materiais.
Assume como fundamental o respeito dos homens pelos seus mas também pelo resto. Pela vida. Pela existência.
Dada a heterogeneidade do seu trabalho e a necessidade de se fragmentar, dá vida a Mirtilo Gomes, Miguel Alexandre Marto e Aurora Santo, heterónimos nas Artes Plásticas, e Goma, pseudónimo no âmbito de Artesanato e pintura infantil.
Dezembro de 2004 e 2005 e Maio de 2006 promove o Atelier infantil de Expressão Plástica e Corporal no Jornal de Leiria;
2005 e 2006 cria e desenvolve um atelier de Artes plásticas e Decoração; 2005 é formadora, na área de Artes Plásticas;
2007 licencia-se em Serviço Social;
2008 e 2009 promove ateliers de Artes Plásticas junto da população idosa,
2009: Inicia o Mestrado em Psicologia clínica e Psicoterapias; Participa na elaboração e expõe na Primeira Exposição Multisensorial e Inclusiva em Portugal (Projecto “Olha por mim”).
2002-2010: Expõe os seus trabalhos em vários espaços, dentro e fora do país, passando por Macau, Itália, Espanha e Brasil.
Actualmente trabalha como Directora Técnica numa instituição de apoio à populaçao idosa; Une esforços com o intuito de criar uma instituição social, sem fins lucrativos, a “Quinta dos Girassóis”, de apoio à Idade Maior, nomeadamente, na área das demências degenerativas e cuidados paliativos, aliando sempre as artes como meio de intervenção directa com esta população (http://quintadosgirassois.wordpress.com).
Exposição permanente: www.bailaolopes.com
Os outros ....
Aurora Santo
Heterónimo. Espelho de uma serenidade que só a idade traz. Fez as pazes com a Vida e com a Morte.
Goma
Pseudónimo. Sem receio de revelar e expor a criança que todo o ser encerra, Goma deixa-se levar pela intensidade das cores e pela magia dos sonhos. Aqui nascem personagens ternurentas, arrojadas, meigas e felizes.
Mirtilo Gomes
Heterónimo interventivo. Lisboeta, solitário, impregnado em vícios, Mirtilo Gomes inicia a sua pintura já depois de completar meio século. Através das cores intensas e da força dos contrastes, ironiza, pretendendo elucidar-nos para a corrosão de valores a que o mundo se rende e acomoda. Na sua pintura nascem personagens frágeis, desprotegidas e discriminadas que nos comunicam através de gestos e olhares o seu desespero e angústia. Outrora vítima de uma solidão irrefreável, Mirtilo Gomes é hoje uma continuidade da mesma. Consciente da sociedade e suas manhas, troca a companhia dos outros pela sua própria companhia.
Miguel Alexandre Marto
Heterónimo. Jovem. Sonhador. Vive intensa e desvairadamente. Os seus trabalhos reflectem a complexidade e a instabilidade do ser. Representando pensamentos e desejos, procura exibir a agitação que assola cada indivíduo, na profundidade do seu (in)consciente. Recorrendo aos mais inesperados e levianos materiais, a expressão e os sentidos ganham corpo e tornam-se reais.
Representações:
- Museu São Gonçalo do Rio Abaixo, Minas Gerais, Brasil;
- Museu Santa Barbara, Minas Gerais, Brasil;
- Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira, Leiria;
- Galeria Brilho e Centelha, Paço de Arcos;
- Associação Cultural Valentim Ruiz Aznar, Espanha;
- Instituto Politécnico de Leiria;
- Biblioteca José Saramago, Leiria;
Concursos:
• 2008 – 1º Prémio EX-AEQUO – Concurso internacional de Pintura António Gualda, Espanha
• 2008 – Menção Honrosa – Concurso de Artes Plásticas da Região Oeste, Leiria
Publicações:
Magazine Consigo, de 6 de Dezembro de 2009, RTP2; Jornal de Leiria de 15 Outubro de 2009 (Entrevista); Revista do Instituto Politecnico de Leiria, nº26, Outubro de 2009 (Reportagem e Capa);Jornal Público de 28 de Setembro de 2009 (Reportagem); Jornal de Leiria de 1 de Outubro de 2009 (Reportagem); Jornal Região de Leiria, 2 de Outubro de 2009 (Reportagem); Leiriagenda, Outubro de 2009; Jornal de Leiria, 8 de Janeiro de 2009, pág. 33 (entrevista); Jornal de Leiria, 24 Abril de 2008, pág.9 ; Jornal Região de Leiria, 22 Fevereiro de 2008, pág.32; Revista infantil do Jornal Região de Leiria, a Bruxinha, edição3655, Abril de 2007;
Exposições:
2010: Conservatório de Artes de Moura, Alentejo; Biblioteca Municipal de Cuba, Alentejo; Forum Vallis Longus, Valongo (Exposição inclusiva e Multisensorial “Olha por mim”);
2009: Biblioteca José Saramago, Instituto Politecnico de Leiria (exposição inclusiva e Multisensorial); Museu da Agua, Coimbra, Portugal; Câmara Municipal de Maracena, Espanha; Galeria da Biblioteca Municipal de Porto de Mós; Galeria da Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira, Leiria; Espaço de Galeria X.O.Y., Leiria; Escola Superior de Educação de Leiria, IPL, Portugal;
2008: Auditório Municipal de Vieira do Minho; VivaFit, Paço de Arcos; Museu Abel Manta, Gouveia; Galeria Nava Nova, Instituto Português da Juventude de Leiria, Portugal; Biblioteca José Saramago, Instituto Politécnico de Leiria, Portugal; Espaço de Galeria X.O.Y., Leiria; Espaço de Galeria da Empresa Bailãogest, Viseu; C.C. Continente de Leiria, promovida pala Livraria Bertrand, Leiria, Portugal; Centro Materno-infantil e de Intervenção Psicopedagógica PARI PASSU, Marinha Grande, Portugal; Galeria Brilho e Centelha, Paço de Arcos, Portugal;
2007: XVIII Feira Nacional de Artesanato e Gastronomia da Marinha Grande, Portugal; “Engenho e Arte”, Estádio Municipal de Leiria, Portugal; MOOG Electronic Jazz Club, Marinha Grande, Portugal; Centro Materno-infantil e de Intervenção Psicopedagógica PARI PASSU, Marinha Grande, Portugal; QB café, Leiria, Portugal; Espaço de galeria da Taberna Artes e Sabores, Fátima, Portugal; Alinhavar, Leiria, Portugal; MOOG Electronic Jazz Club, Marinha Grande, Portugal; Escola Superior de Educação de Leiria, IPL, Portugal;
2006: Feira de Artesanato Cuccioli Campani, Itália; Feira de Artesanato de Travanca, Espanha; MOOG Electronic Jazz Club, Marinha Grande, Portugal; Escola Superior de Educação de Leiria, IPL, Portugal;
2005: Galeria 57- Macau Limitada, Macau, China; Galeria 57, Leiria, Portugal; Espaço de galeria do Sport Operário da Marinha Grande, Portugal; Pinus Bar café, Marinha Grande, Portugal; Espaço de Galeria do Sport Operário Marinhense, Marinha Grande, Portugal;
2004: Galeria “Nava Nova”, Instituto Português da Juventude, Leiria, Portugal;
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quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Castelo de Leiria NA CORTE D’EL REI D. DINIS 25’SÁB‘17h00 - 24h00 | 26’DOM‘15h00 - 24h00
25’SÁB‘17h00 - 24h00 | 26’DOM‘15h00 - 24h00
Castelo de Leiria
NA CORTE D’EL REI D. DINIS
Numa representação dos Viv’Arte, o Castelo de Leiria recuará oito séculos, para que todos
possam assistir às extraordinárias recriações históricas e assim conhecer um pouco mais da
história de Leiria e do seu Castelo.
Sábado, dia 25, entre as 17 e as 24 horas, será dedicado a D. Dinis - O Agricultor e, domingo, dia
26, a partir das 15 e até às 24 horas, será dedicado a D. Dinis - O Trovador.
O estacionamento deverá ter lugar junto às piscinas municipais e a entrada no Castelo efectuar-
se-á através do acesso norte.
ENTRADA LIVRE
INF.: CMLeiria – Divisão de Juventude e Educação - Tel: 244 839 640 | Org.: CMLeiria
(artigo retirado do Blog "Leiria a Minha Cidade" http://alfredocr.blogs.sapo.pt/226344.html)
A Acrenarmo vai participar com uma esplanada em frente da Acrenarmo onde os petiscos não vão faltar.
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segunda-feira, 6 de setembro de 2010
HOMENAGEM A UM BEIRENSE DE GEMA! - CHICO IVO - ALMOÇO DE CONVÍVIO EM MIRAFLORES
Video das fotos gêntilmente cedido por António Jorge
Texto retirado do Blog do nosso amigo Celestino Gonçalves que amávelmente aceitou representar a Acrenarmo neste bonito convívio e transmitir uma mensagem de amizade por este Amigo de todos os Naturais e Ex-residêntes de Moçambique.
***
FRANCISCO IVO (Chico entre os amigos), um beirense de gema que continua a viver na terra que o viu nascer e ali exerce a sua profissão de Arquitecto, é uma figura muito estimada por todos que o conhecem, quer residam ou não em Moçambique!Filho de um respeitável senhor - o Arquitecto Carlos Ivo - que residiu naquela mesma cidade praticamente durante toda a sua vida activa, deixando ali uma obra ímpar na construção da cidade capital de Manica e Sofala, reconhecida não só pelas autoridades do período colonial como do actual governo moçambicano que o condecorou a título póstumo por ocasião do centenário da cidade, recentemente comemorado. O Chico continuou não só a obra de seu pai como preencheu o seu lugar no campo social visto que seguiu o seu progenitor no comportamento cívico exemplar que o caracterizou como das pessoas mais estimadas pela população beirense!
Com alguma regularidade o Chico Ivo vem a Portugal onde tem dois filhos a estudar. E tal como tem acontecido em anos anteriores, os seus amigos não desperdiçaram a oportunidade de se reunirem com ele e sua simpática Esposa num almoço convívio, no passado sábado, dia 4, em Miraflores-Algés.
O convívio juntou mais de meia centena de beirenses e foi pretexto para mais uma festa de amigos que vivem em vários pontos do país e ali se deslocaram respondendo à chamada do anfitrião do costume, o dinâmico e bem conhecido Mário Santos. Eu próprio, que tenho por esta família uma especial estima desde os tempos em que privei com o saudoso pai Ivo, marquei presença e tive a honrosa incumbência da direcção da ACRENARMO (Associação Cultural e Recreativa dos Naturais e ex-Residentes de Moçambique) de apresentar uma mensagem de saudação ao homenageado. Aproveitei, naturalmente, para dirigir a minha mensagem ao Chico , realçando as ligações profissionais e de amizade que mantive com o seu pai durante a minha estadia na Província de Manica e Sofala na década de 60, quando ele, na condição de vogal da Comissão Distrital de Caça, em representação dos caçadores, muito colaborou com os Serviços da Fauna Bravia nas decisões sobre as actividades cinegéticas, quer profissionais quer amadoras.
***
Kanimambo!
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Abertas as inscrições para aulas de Danças de Salão e Ginástica Localizada
Danças de Salão:
Destinatários : Todas as idades
Demonstração dia 06 de Setembro para todos os que quiserem espreitar ou experimentar.
Latinas: Clássicas:
Cha-Cha-Cha Valsa inglesa
Rumba Quickstep
Jive Foxtrot
Samba Tango
Passo Doble Valsa Vianense
Horários: 2ªs e 4ªs das 20,30h ás 22,00h
Professora Monika Grauchalska - 964 549 858 (+ inf. / inscrições)
Ginástica localizada:
Destinatários : Todas as idades
Horário : 3ªs e 5ªs - Classe A 19.15h ás 20.00h
- Classe B 20.00h ás 20.45h
Professor José Bento - 969 712 820 e 918 133 583 (+ inf./ inscrições)
Venha experimentar e traga um amigo para lhe fazer companhia.
Nos próximos dias 6, e 7 de Setembro das 19h ás 21h o seu café é por nossa conta.
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quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Histórias de um passado em Moçambique - "Memórias que nos marcam"
DEDICO ESTA NARRATIVA AO MEU PAI RECENTEMENTE FALECIDO.....
Rondava o ano de 1968/69
Por imposição de trabalho da Serração Mecânica, com sede em Lourenço Marques, meu pai teve que mudar-se com armas e bagagem para um acampamento no meio do nada em plena selva Moçambicana.
Nós (eu, meu irmão e minha mãe), sem termos voto na matéria, tivemos que o acompanhar…
Hoje, recordando o passado, sou feliz e agradeço a meu pai, por ter vivido de perto e na primeira pessoa, acontecimentos tão enriquecedores que só aquela África que nós tanto amamos, nos proporcionou.
Escolhi esta historiazinha, porque é uma sequência de vários acontecimentos que se desenrolaram na mesma altura:
Se bem me lembro, chegamos ao Litane, numa manhã cinzenta e orvalhada pelo cacimbo da noite.
O cenário pareceu-me tão desolador que ainda hoje o comparo com um campo de guerra depois de uma batalha…
Uma clareira, a centenas de quilómetros da povoação mais próxima, onde havia sido desbravada alguma floresta para assim poderem instalar um acampamento. Nele constava uma serração de madeiras, que era o posto de trabalho do meu pai, uma pequena casinha de madeira, pintada de cinzento com o telhado de chapa galvanizada com uma enorme varanda, que seria a nossa casa, uma cantina que era onde os empregados se abasteciam de tudo o que precisavam, desde alguns alimentos, roupa, calçado, etc.
Nas zonas circundantes, por entre as árvores e extenso matagal que nos rodeava, viviam os negros, empregados da serração, que ali se deslocavam todos os dias para exercerem as suas funções e onde meu pai era o encarregado…
As noites silenciosas de África eram únicas, apenas interrompidas pelo coaxar das rãs e pelo pipilar das aves nocturnas.
Nós gostávamos de nos deitarmos nas esteiras no chão, tendo o céu estrelado como tecto e ouvíamos a VOZ DA SELVA, uma emissora Sul-africana, proibida, mas naquele fim de mundo, nada era proibido!
As noites mais animadas eram aquelas em que o meu pai ia à caça e nos levava, por vezes, só regressávamos de manhã, pois perdíamo-nos, já que os guias que levávamos embebedavam-se e esqueciam os caminhos…
No dia seguinte a uma caçada, havia sempre festa no acampamento, pois o meu pai distribuía a carne pelos empregados.
O acontecimento que mais me marcou naquele ano de 69 foi a morte do meu cão “Paulino”pois teve uma morte horrível e isso quase que nos atingiu fisicamente…mas passo a explicar:
Uma manhã, surgiu lá no acampamento um cão enorme com um comportamento muito estranho.
O Mafaiate (nosso empregado) quando se apercebeu foi logo chamar o “patrão” (meu pai), mas quando ele lá chegou já o dito cão tinha feito estragos irreparáveis:
Surgiu na minha frente, mas tentou atirar-se a minha mãe, que entretanto pegara numa vassoura, felizmente, para nós, o “Paulino”desviou a atenção do dito cão para ele e, azar do meu cãozinho, foi o escolhido para ser uma bola, debaixo das patas enormes daquela fera enraivecida.
Quando o meu pai chegou, já o dito cujo tinha abalado.
O “Paulino”estava todo mordido mas vivo, embora bastante combalido.
Meu pai tratou dele e quando melhorou, prendeu-o ao fundo da machamba, pois achava que o cão tinha sido contaminado, estava com raiva e ia morrer….
Fiquei chocadíssima!!!
A machamba era cercada por tábuas muito altas, para proteger as hortas dos animais selvagens, que por onde passavam destruíam tudo.
Sempre que eu podia ia pelo lado de fora da machamba e espreitava por entre as tábuas para ver o meu bichinho, não via nada de anormal, apenas via tristeza nos olhos dele e achava que era por estar preso. Meu pai achando que se tinha enganado no prognóstico, resolveu soltá-lo passadas algumas semanas, já que ele aparentava estar muito bem, mas apesar de não nos fazer mal, ele atirava-se aos restantes cães, coisa que anteriormente não acontecia….
Voltou a ser preso e pouco depois teve vários ataques de fúria contra o Mafaiate, pois era ele que o tratava, deixou de comer e quando o fui espreitar pela ultima vez, olhou-me com ódio, ou talvez com loucura, sim…hoje acho que dos olhos dele emanava loucura!!
Com o cão morto, havia a incerteza se também estávamos contaminados pois brincávamos com ele…
Nessa mesma manhã com toda a urgência possível, meu pai mandou preparar o Land Rover e partimos rumo a Maoel, o acampamento mais próximo que de nós se encontrava…
Mas…e porque, todos os dias, tínhamos um camião que se deslocava de Maoel ao Litane a fim de transportar as madeiras que meu pai preparava na serração e que depois eram exportadas para a África do Sul, e que também, nos abastecia de tudo o que era necessário, o motorista e seu ajudante, já havia alguns dias que se queixavam que era complicado passar, pois andava um búfalo ferido que os esperava no caminho e por vezes os fazia perder muito tempo, uma vez que o búfalo era teimoso e não se desviava do trilho por onde a Izuzu tinha que passar.
Nessa manhã e temendo o encontro com o búfalo, meu pai que era um amante inveterado da caça grossa e como sempre fazia, quando nos deslocávamos para algum lado no mato, metemo-nos os quatro dentro da cabine do jipe e com uma arma de caça grossa ( carabina calibre 375) em cima das nossas pernas, que normalmente ia dentro do respectivo saco, mas daquela vez e por ter receio de não ter tempo, se o búfalo aparecesse até ia fora do saco e pronta a disparar…
E o inevitável aconteceu…na zona onde o motorista dizia que o búfalo aparecia, meu pai afrouxou a marcha do jipe e todos nós apurámos a visão na esperança de o vermos e a certa altura minha mãe diz:
-Estou a ver qualquer coisa a mexer junto daquela árvore,!!
Meu pai que, repentinamente, também se apercebeu, saiu porta fora do jipe mesmo com ele em marcha lenta e até se esqueceu de o parar, por sorte nossa, o trilho era tão fundo que o jipe acabou por parar sem sair da picada.
Meu pai mandou dois tiros para aquele vulto enorme por entre as árvores, esperou uns segundos e avançou mais um pouco com a arma em posição de fazer fogo novamente caso fosse preciso, mas perdeu de vista o tal vulto e temendo ir mais em frente e já que o nosso tempo urgia, voltou para junto de nós, pegou numa catana e foi dar umas catanadas na árvore onde o búfalo estivera encostado, para marcar o sitio, pois na nossa volta era propósito do meu pai procurar o bicho
Seguimos o nosso destino até Maoel onde chegamos já tarde avançada
Dirigimo-nos a casa do Sr. Gonçalves, a quem contamos o sucedido e depois de comermos algo partimos rumo a Manjacaze, onde se encontrava o hospital mais próximo.
Não recordo bem, mas tenho uma vaga ideia de que fomos logo atendidos com toda a urgência e começamos por levar uma injecção na barriga, cada um, e isso continuaria dos dias seguintes durante uma semana. Depois de medicados, meu pai resolve voltar para Maoel, onde esperávamos ir jantar e pernoitar, mas o jipe depois de algumas horas de caminhada resolve pregar uma partida e quedou-se num sítio onde não se via viva alma e ali tivémos que passar a noite os quatro dentro da cabine do jipe e por sorte, meu pai à saída do Litane disse para minha mãe pôr mantas no jipe pois nunca se sabia o que nos esperava e bom jeito nos fizeram…
Ao romper da madrugada, passaram uns franceses que pararam e nos ofereceram café e bolos, logo de seguida passou um padeiro que ia fazer a distribuição do pão, porque afinal de contas até nem estávamos muito longe da povoação Álvaro de Castro. Meu pai aproveitou a boleia do padeiro e foi ver se arranjava um mecânico para arranjar o jipe.
Passado algum tempo regressou com outro jipe que “chovou” o nosso até á oficina do mecânico e enquanto que se arranjava o jipe fomos almoçar a casa do administrador de Álvaro de Castro que por coincidência o meu pai já conhecia e que já não se viam havia muitos anos.
Depois do jipe arranjado, retornamos para Maoel, isto numa sexta-feira de tarde, onde jantámos e pernoitámos em casa do Sr. Gonçalves.
No sábado de manhã e depois de termos levado outra dose na barriga, regressámos ao Litane com as restantes injecções onde o enfermeiro de Maoel iria todos os dias dar-nos as que faltavam.
Quando de novo passamos no sítio onde o meu pai tinha dado os tiros ao búfalo, meu pai parou o jipe e inspeccionou o local, mas não se sentindo muito á vontade achou por bem continuar-mos para o Litane e então no Domingo manhã cedo reuniu uns quantos homens e munidos de catanas e alguns cães partiram ao encontro do dito búfalo.
Ao fim da manhã o meu pai estava de volta com o bicho e ainda quente pois tinha morrido naquela manhã.
Foi uma grande festa no acampamento, pois a carne foi toda distribuída pelos empregados da firma.
Esta, entre outras histórias, fizeram a história do meu percurso por aquela terra mágica que jamais esqueceremos e quem nasceu ou viveu e passou por situações idênticas, sabe bem do que falo…
Que todas as recordações da nossa África nos façam felizes pois tivemos um passado rico de experiências, nem todas boas é certo, mas vivemos um mundo de aventuras múltiplas, temos um passado digno de ser recordado, porque afinal,
Lá…
VIVEMOS !!!
E não apenas…
PASSAMOS PELA VIDA!!!
A todos um bem-haja.
MARIA VIEIRA
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Histórias de um passado em Moçambique
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Quem sou? - de Maria Fernanda de Sá Pires
quem sou?
nome-Onda do Mar
idade-milenária
data de nascimento-qdo conheci alguém que Deus como prisioneiro tem não sei onde-na Floresta das Sombras?
naturalidade-Terra do Mar Longe
minha vida-marés vazias de afectos
endereço-meu coração
minha sorte-Solidão
minha luz-pálida desde o amanhecer
meu desespero-nunca ouvi :"és a mulher da minha vida"
meu pensamento-Presença /Ausência
uma música-sonata ao Luar de Beethoven
um sonho-Amor
um nome-Silêncio
uma recordação-"vou deixar-te,"humildemente num abraço muito abraçado.
uma verdade-sou uma derrotada
uma realidade-mágoas
minha vida-esperar à beira mar da Terra do Mar longe
meu destino-PARTIR para Voltar de novo com outra missão- Ser feliz
Maria Fernanda de Sá Pires -Maria de Inhambane
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Poesia
terça-feira, 13 de julho de 2010
Histórias de um passado em Moçambique - "Um susto valente"
Numa bela noite como tantas que tinhamos em Lourenço Marques, eu mais um colega e amigo da Firma onde ambos trabalhávamos fomos tomar um copo de fim de tarde ao Miramar, conversa puxa conversa ali ficámos até sensivelmente às 08 da noite, combinámos então ir jantar à Costa do Sol, como ainda era cedo, fomos parar um bocado para conversar nos chamados pinheiros onde muitos casais paravam uns para namorar outros simplesmente para conversar.
Certo é que nós nessa noite estranhamos nesse lugar haver muito pouca gente e carros (o que não era costume) mas, não ligámos ao caso pois quem não deve não teme...acontece que quando estávamos já um bocado longos na conversa o meu amigo começou a ver uns movimentos estranhos do meu lado e começou a ligar o carro e na altura em que iamos arrancar deitaram a mão à minha porta mas não conseguiram abri-la bateram com a catana no carro, e, mais aflitivo ainda o carro começou a enterrar na areia ele meteu o acelerador a fundo e como eu costumo dizer que fo Deus que nos deitou a Sua Mão pois o carro começou a andar conseguindo desembaraçar-se da areia que o prendia e conseguimos sair dos pinheiros e pomo-nos instantemente na estrada...eu tremis e sentia-me paralisada, nem eu nem ele conseguimos articular palavra por uns largos momentos, isto eram para aí uma 9.15 da noite no ano de 1976, pensei que já não viria a minha filha de 4 meses e meio e que nunca mais sairia de Lourenço Marques pois que já tinhamos passagem marcada para vir para Portugal, posso dizer que só este momento de estar a relatar este drama continuo a ficar aflita e sem forças pois a aflição nessa noite foi brutal, e já agora posso dizer que com quem estava era o pai da minha menina e estávamos a conversar sobre ele assumir a filha o que veio acontecer para depois indo cada um para seu lado, hoje sou feliz com o homem com quem casei há 21 anos, temos 2 filhos lindos, a outra minha filhota já está casada tendo ela 34 aninhos.
Meus amigos espero ter contribuido com a minha veridica história e espero que ela esteja bem contada, mas muito sinceramente ainda me sinto aflita só de falar.
Muito obrigada
Bem hajam
Paula
Certo é que nós nessa noite estranhamos nesse lugar haver muito pouca gente e carros (o que não era costume) mas, não ligámos ao caso pois quem não deve não teme...acontece que quando estávamos já um bocado longos na conversa o meu amigo começou a ver uns movimentos estranhos do meu lado e começou a ligar o carro e na altura em que iamos arrancar deitaram a mão à minha porta mas não conseguiram abri-la bateram com a catana no carro, e, mais aflitivo ainda o carro começou a enterrar na areia ele meteu o acelerador a fundo e como eu costumo dizer que fo Deus que nos deitou a Sua Mão pois o carro começou a andar conseguindo desembaraçar-se da areia que o prendia e conseguimos sair dos pinheiros e pomo-nos instantemente na estrada...eu tremis e sentia-me paralisada, nem eu nem ele conseguimos articular palavra por uns largos momentos, isto eram para aí uma 9.15 da noite no ano de 1976, pensei que já não viria a minha filha de 4 meses e meio e que nunca mais sairia de Lourenço Marques pois que já tinhamos passagem marcada para vir para Portugal, posso dizer que só este momento de estar a relatar este drama continuo a ficar aflita e sem forças pois a aflição nessa noite foi brutal, e já agora posso dizer que com quem estava era o pai da minha menina e estávamos a conversar sobre ele assumir a filha o que veio acontecer para depois indo cada um para seu lado, hoje sou feliz com o homem com quem casei há 21 anos, temos 2 filhos lindos, a outra minha filhota já está casada tendo ela 34 aninhos.
Meus amigos espero ter contribuido com a minha veridica história e espero que ela esteja bem contada, mas muito sinceramente ainda me sinto aflita só de falar.
Muito obrigada
Bem hajam
Paula
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Histórias de um passado em Moçambique
sábado, 26 de junho de 2010
Workshop / Oficina - Comida Moçambicana e Goesa
Workshop / Oficina - Comida Moçambicana e Goesa
Hummm.........que delicia.........
Data: Domingo, 4 de Julho de 2010
Hora: 15:00 - 18:00
Local: Sede da Acrenarmo - Leiria
Formadores : Nuno Sequeira (Restaurante Cardamomo) e Francelina Gomes
Data limite para inscrições: até 30 de junho
Preço: 30,00€/pessoa
Contactos para inscrição: Natália Sapinho - 912127746 - lenasapinho@gmail.com
Confecção de:
Entradas:
. Apa com Baji e salada Rait
. Batata doce frita
. Camarões fritos com alho
Pratos principais:
. Caril de amendoim com galinha, acompanhado por arroz branco
. Matapa
Sobremesas:
. Doce de mandioca
. Doce de grão
No final é oferecido um livrete com as receitas confeccionadas e outras.
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Actividades,
Desafio,
Divulgação
Convívio da Acrenarmo no Badoca Safari Park - 17/07/2010
Cá estamos de novo para nos juntarmos e fortalecermos ainda mais os laços que nos unem, e partilharmos a boa disposição que nos caracteriza.
Desta vez o convívio dos Naturais e Ex-residentes de Moçambique e amigos, será no Badoca Safari Park, em pleno Alentejo (Vila Nova de Stº André), entidade que estabeleceu um acordo de parceria com a Acrenarmo.
É um local muito bonito, onde a natureza é o elemento mais marcante.
A escolha do local foi propositada, de modo a permitir a muitos reverem alguns animais africanos, e não só, em estado selvagem. Animais como avestruzes, búfalos, gamos, girafas, gnus, impalas, muflão, palancas negras, tigres, veados, zebras, chimpanzés, babuínos, águias, falcões, burros, cabras, cangurus, iaques, lamas, ovelhas, papagaios, araras, catatuas, iguanas, tucanos, cegonhas, flamingos, lemures e muitos, muitos mais, farão as delícias de todos.
Também esta escolha visa permitir e incentivar as gerações mais novas para que se juntem a estes convivíos por forma a partilhar as experiências e vivências dos mais velhos. A convivência de gerações foi aliás uma das nossas principais motivações.
Por isso mesmo, pedimos a todos que divulguem junto dos amigos de longa data, e que apareçam com os filhos e netos neste convívio que, estamos certos, será do agrado de miúdos e graúdos.
Ambanine e Kanimambo
Acrenarmo
O Parque abre às 10h00, encerra às 18h00. Último safari é as 17h00.
HORÁRIOS DAS ACTIVIDADES
Safari:
Marcação por ordem de chegada / Saídas regulares.
Duração aproximada de 1 hora.
Apresentação de Aves de Rapina:
- 11h00 / 14h30
Duração aproximada de 30 minutos.
Sessão de alimentação dos Lémures:
- 11h45 / 14h00
Duração aproximada de 30 minutos.
Rafting Africano:
- 14h30-15h30
Por uma questão de logistica, apenas são aceites pagamentos por cheque ou vale correio
EMENTA
Entrada
Creme de Legumes
Prato Principal
Bifinhos c/ Cogumelos
Sobremesa
Salada de frutas
Couvert:
Pão, manteiga e azeitonas
Bebidas:
Vinho branco, tinto ou sangria (1 jarro/2 pessoas), sumo, água e café.
(Composição da Ementa: Couvert+entrada+1 prato+sobremesa+Bebidas)
Quem quiser ir carregado com cesta de piquenique, poderá fazê-lo, pois existe parque de merendas. No entanto, a Acrenarmo e o Badoca Safari ParK, não se responsabilizam pela guarda de objectos durante o Safari.
As inscrições são até 30/06/2010
Apenas são aceites pagamentos por cheque ou vale correio
De de 30/06/2010 a 10/07/2010 o valor terá uma penalização de 5,00 €/pessoa
Depois de 10/07/2010 não serão aceites inscrições
Para quem quiser deslocar-se de autocarro, os nossos amigos mensionados em seguida, disponibilizáram-se para nos ajudar e organizar o transporte.
De outros locais ainda não mensionados, agradecemos a vossa ajuda e disponibilidade.
Iremos indicando no nosso blog outras informações que surjam.
Por favor entrar em contacto o mais breve possivel.
• ATENÇÃO: O transporte não está incluido na inscrição.
Algarve............................Virgílio Comenda Pina......................... 965046455
Braga............................... Armando de Oliveira E Castro............ 966723945
Caldas da Rainha............. Isabel Seno (até 25 de Junho) ……... 919515995
Coimbra.......................... António Almeida (Tonito Almeida).. 967088533
Évora ...............
Guarda .............
Leiria............................... Graça Gaio ( ACRENARMO ) ............ 919889640
Lisboa ..............
Porto ...............
Setúbal .............
.......................
Braga............................... Armando de Oliveira E Castro............ 966723945
Caldas da Rainha............. Isabel Seno (até 25 de Junho) ……... 919515995
Coimbra.......................... António Almeida (Tonito Almeida).. 967088533
Évora ...............
Guarda .............
Leiria............................... Graça Gaio ( ACRENARMO ) ............ 919889640
Lisboa ..............
Porto ...............
Setúbal .............
.......................
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Saudades
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Histórias de um passado em Moçambique - "Aterragem Forçada na Lagoa Pati" (versão César Morais)
Não resisto à tentação de partilhar esta "Aventura" em Moçambique. A Isabel Ribeiro lembrou-ma.
Fui buscá-la ao Blog da Luísa Hingá, para onde lha enviara há tempos.
Blog Voando em Moçambique
Estavam a acabar as férias. Recomeçavam as aulas no Liceu 5 de Outubro, o único em todo o Moçambique, na época. Tínhamos de voltar a abalar para Lço. Marques.
Eu voltava, uma vez mais, para casa do Sr. Abrunhosa, na 24 de Julho, nº 49.
O dia do “embarque”, no aeroporto de Quelimane estava marcado com antecedência. O tempo estava a pôr-se chuvoso, o que era “chato” para se andar de avião. Já tínhamos feito 4 vezes aquela viagem entre Quelimane e Lço. Marques. Sempre que íamos para, ou vínhamos, das aulas. A distância não permitia outro meio de transporte.
A DETA tinha uns aviões pequenos, que “dançavam” muito nos “poços-de-ar” e, faziam muito “mais esforço” a subir e a descer… Qual seria o que nos iria calhar desta vez?
Bom. Este avião vinha do Norte, de Nampula, já com alguns estudantes e, seguiria connosco, reco-lhendo mais alguém na Beira e, se calhasse... em Inhambane também.
Chegara o dia. Lá fomos para o aeroporto (era o “aeroporto velho” ainda). Estávamos lá todos, no bulício habitual destas chegadas e partidas. Os passageiros mais as famílias e amigos… mais os que por profissão a isso eram obrigados… e, vários curiosos. Havia uma série de coisas para fazer, antes de “embarcar”. Meu pai foi tratar disso.
Chegou algum tempo depois, mas... para dizer que o avião tinha chegado com uma avaria e que estavam a tratar disso…
-“Bolas! Ir num avião que acabava de chegar, avariado!!!!... Não me senti especialmente feliz com a notícia.”
Bom… o pior é que passada cerca de uma hora, nos vieram dizer que a avaria exigia uma peça nova, e que ela teria de vir de Lço. Marques… pelo que o voo ficava adiado.
Uf!... Pelo menos já não íamos naquele dia! Com uma avaria remediada, se calhar, à pressa!...
Voltámos para casa… mais uns dias de férias… Bestial!...
Dois ou três dias depois, com céu meio encoberto… lá voltámos ao aeroporto…
Desta vez era para valer mesmo. A peça tinha chegado e até tinha vindo com ela um Engenheiro da DETA, para corrigir a situação. Ele regressava a Lço. Marques connosco.
- “Todos a bordo!”
Fiquei sentado no último banco cá atrás, do lado direito da cabine… o único duplo. Mas fiquei junto à janela, donde podia ver tudo lá para baixo pois ficava atrás da asa direita. Ao meu lado ficou sentado um “miúdo”, também estudante, cujo nome e proveniência já me não recordo… e também, o tal Engenheiro da DETA.
Hoje ao ver uma réplica do Junker no Portugal-dos-Pequenitos em Coimbra… admira-me o quão pequeno era aquele avião… e como era pequena a cabina e acanhados os lugares para os passageiros. Na altura achei-o, com prazer… um avião bem grande, com uma cabina bem espaçosa… comparando-o com os outros em que já fizera aquela viagem antes… É giro ver como são diferentes as perspectivas, de acordo com as transformações que nós próprios vamos sofrendo!...
No banco à minha frente sentou-se a D. Ana do Chinde (que só agora fiquei a conhecer, ao ler o extracto do livro do Comandante Faria Peixoto). Vinha com uma perna engessada (provavelmente partida…) e que ajeitou ao lado do banco à sua frente. Era mesmo uma pessoa alegre e comunicativa.
Levantámos voo e seguimos viagem, impecavelmente, com bom tempo e, rapidamente estávamos acima daquelas grandes nuvens muito brancas e resplandecentes ao sol, desenhando aqui e ali formas variadas, com pequenos nichos de sombra, a dar-lhes aquela perspectiva tridimensional maravilhosa. Voávamos dentro de um pequeno-grande mundo virtual… que estava mesmo ali!
Parámos na Beira. Sempre uma delícia sair do avião!... Muito melhor do que quando entramos… Terra firme!... vida e movimento!... O calorzinho de “lá-de-fora”!... andar, ver e contactar com pessoas e paisagens diferentes…
Voltámos ao voo, a caminho de Lço. Marques… das aulas… das jogatanas muito disputadas ao berlinde, nos intervalos… dos jogos do “paulito” na Rua Coronel Galhardo por trás da 24 de Julho, com a “malta” (o Manel – Cara-Suja, o Rodrigo Tudela, o Nuno Revés, e às vezes outros que se nos juntavam) … das cowboiadas nas matinés de sábado no Scala, à borla, naquela “nossa” fila do balcão, com direito a filme duplo, mais um episódio do Super-Homem, mais aquele batido de sorvete e coca-cola na Socigel, naquela esquina para onde corríamos no intervalo da matiné… (era uma fila atribuída aos Cabaços e amigos – o Zé Luís Cabaço, o Manel Jorge, o Márito e a Nélita)…
Bom! Mas surpresa!... Estávamos a perder altura de forma controlada e íamos aterrar de novo!... Seria Inhambane?...
Era Mambone. Um aeroporto desactivado. Aterrava ali pela primeira vez. Bestial! Mais um aeroporto conhecido!... Era uma pequena pista (mal amanhada) e uma palhota grande, com espaços para as pessoas poderem estar… com bancadas de madeira… e um compartimento fechado, onde havia um telefone.
Tínhamos parado para que a tripulação ficasse a saber bem como estava o tempo entre Inhambane e Lço. Marques.
Havia um ciclone que se mantinha nessa zona. Ainda bem que o Comandante Nogueira tinha metido na Beira, gasolina em quantidade francamente superior à habitualmente necessária, pois iríamos ter assim, maior disponibilidade de recursos para enfrentar o mau tempo.
- “Tudo p'ró avião!”
E aos “tropeções” na pista de Mambone lá levantámos voo… (o último daquele Junker… que até tinha na altura, a mesma idade que eu… 11 anos).
O tempo estava magnífico… radioso…
… Bem à nossa frente! … De repente!... Desenhou-se o horrível!...
Uma enorme massa de nuvens cinzentas e negras… estendendo-se de horizonte a horizonte…em direcção às quais, estávamos inexoravelmente a voar…
Era nítida a diferença entre o espaço limpo, luminoso, ensolarado e rico daquelas nuvens, cúmulos majestosos, em que agora voávamos e aquela enorme massa cinzenta-negra, bem ameaçadora, em direcção à qual estávamos a avançar a grande velocidade.
Estamos tramados! Vai começar a “dança”! – pensei.
Os 3 motores do Junker mantinham a sua toada, ronronando de forma uniforme… a que já nos habituáramos…
Bom! Começou! Entrámos nas nuvens negras! O avião começou logo a sacudir-se… a abanar… e começaram os malditos poços-de-ar…de vez em quando lá tínhamos aquelas quedas-desamparadas… para logo depois ficarmos pregados nos lugares com o avião a retomar a altitude a toda a força dos seus três possantes motores da Junker.
Sentimos o avião a lutar para subir acima daquela massa de nuvens ameaçadoras… Continuavam as sacudidelas, abanões e poços-de-ar… mal saíamos de um, caíamos logo noutro!...
As pessoas começaram a enjoar e a vomitar nos respectivos sacos, que depois punham nas redes por cima das cabeças, já fechados e cheios.
Alguém precisou de ir ao WC, um pouco atrás do nosso banco… quando de lá saiu ficou um rasto algo mal-cheiroso… que acabou por passar…
O avião não conseguiu (ou não quiseram forçá-lo a isso) sobrepor-se às nuvens do ciclone, e à alti-tude a que voávamos viam-se em baixo, só copas-de-árvores-enormes e… água. Os terrenos que sobrevoávamos já estavam encharcados com aquela chuva ciclónica.
Lembro-me de pensar como seria bom que aterrássemos depressa para que aquilo tudo acabasse. Estávamos, de repente, todos exaustos de tanto abanão… de tanta tensão, com aquelas quedas bruscas e subidas também bruscas…
De repente!
- “Rezem meus filhos que vamos morrer! Avé Maria, cheia de Graça…”
A D. Ana do Chinde, mesmo à minha frente soltara este grito, começando logo a rezar… e nós todos a segui-la na oração e a responder-lhe alto nas – “Santa Maria, Mãe de Deus…”
Olhei de imediato para o meu motor (o da asa direita) e estava tudo bem. Foi quando consegui, apesar dos abanões, espreitar para o motor da esquerda… que percebi – estava parado!!!! Mas o Junker tinha 3 motores… O avião mantinha-se impecável no seu ímpeto selvagem a subir rapidamente quando recuperava de um poço-de-ar… os abanões e sacões eram os mesmos…
- “Santa Maria, Mãe de Deus…”
Pronto! Isto está mesmo mal! O motor da direita, ali mesmo a meu lado, “resfolegou”… ainda ten-tou… mas acabou também parado!!!... Como estaria o motor da frente?????
Também parara...
Aí vamos nós a planar… mas super-exaustos para pensarmos em alguma coisa… e anestesiados pela oração…
- “Avé Maria, cheia de Graça…”
Lá em baixo, agora mais nítido… era só água e copas-de-árvores… copas-de-árvores e água… chovia torrencialmente, relampejava e o avião sacudia-se numa “dança-maluca”…
- “Uiiiii!!!... Um poço-de-ar bem maior… em que o avião “parecia-que-se-tinha-dobrado-a-meio-e-descido-a-pique”… para endireitar-se depois… mas sem ter feito então, aquele potente esforço motorizado habitual para retomar a altitude…
- “ Santa Maria, Mãe de Deus…” Continuávamos todos a rezar. Tinham-nos mandado apertar os cintos. Nós naquele banco duplo, não os encontrámos. O Engenheiro fincou os pés na base do banco da frente e agarrou com força o meu companheiro, ao seu lado. A mim aconselhou-me que me segurasse ao ferro horizontal das costas do banco da frente e que baixasse a cabeça.
- Uiiii!!!... Mais uma vez aquele frio horrível na barriga, produzido por nova queda aparentemente a pique, devida a novo poço-de-ar e mais uma vez o avião a endireitar o nariz e a reequilibrar-se naquela barafunda infernal… mas sem voltar a ganhar altitude…
- “Ave Maria cheia de Graça…”
Já estávamos bem baixos… A aterragem estava eminente… Chovia torrencialmente… O avião sacudiu-se ao cortar os ramos de uns coqueiros e algumas árvores com as asas e os estabilizadores do leme e…
Buumm!...Buumm! Esssssssllslslsls!... Silêncio!...
Doía-me a cabeça à frente e atrás… das pancadas que terei dado no ferro do banco da frente…mas… de resto tudo bem! Logo apareceram os tripulantes com as caras ensanguentadas, com vários lenhos, escoriações e cortes… mas “completamente bem”!
Todos bateram as palmas e todos se levantaram a abraçar-se.
O Engenheiro com alguma dificuldade, pois escorregara e magoara uma perna debaixo do banco da frente do lado esquerdo da coxia central… a ponto de partir o banco. A D. Ana, com a sua perna engessada, escapara ilesa e fazia por se levantar e felicitar efusivamente os pilotos e todos. Estávamos todos bem!
O avião “sossegara” de vez! Lá fora só chuviscava e nem estava uma tarde muito escura!...
Com a violência do embate...os sacos com vómitos caíram de cima das redes e espalharam o con-teúdo por onde calhou. A porta do WC tinha-se partido… os cheiros misturaram-se e eram nauseabundos…
Vomitei! Por certo pelo cheiro… pelos nervos… pelo fim daquela tensão toda.
Abriram-se as janelas de emergência para ventilar… saíram os maus cheiros, mas entraram nuvens de mosquitos…
A porta do avião abriu, não sem alguma dificuldade.
Um ou dois dos tripulantes saíram, pois tinham avistado umas pessoas, por certo habitando ali por perto, que teriam presenciado a queda do avião. Mas voltaram sem terem encontrado ninguém, nem habitações.
Recolheram-se as bolachas, merendas e garrafas de água ou sumos que as pessoas levavam. À cautela.
Nós os miúdos, acomodámo-nos nos bancos em que vínhamos para não atrapalhar os movimentos e deliberações dos adultos. A noite caíu rápida. Acenderam-se candeeiros a petróleo para não gastar as baterias… necessárias para pedidos de socorro, pela rádio, na manhã seguinte.
Para os mosquitos da Lagoa Pati, em cujas margens tínhamos aterrado… estava a ser um festim… mas a cada palmada também matávamos aos seis ou sete de cada vez…
Os calções curtos e balalaica de manga curta que trazia… por mais que me enrolasse no meu canto do banco duplo… não me conseguiam livrar minimamente daquele feroz bicho da selva africana.
Os grilos, as rãs e a restante bicharada da zona, ia enchendo a noite de ruído… mas ruído do bom… ruído bem terrestre e conhecido… que nos encantou.
Olá! Estavam umas luzes lá fora a aproximarem-se de nós! Alguém vinha ter connosco!
Era um professor, regente escolar, de uma Escola próxima, que tinha sido alertado pelas tais pes-soas que tinham presenciado a queda do avião, e que já tinha enviado “estafetas” a comunicar a nossa situação e localização à Administração de Macia.
E… Maravilha! Trazia leite e chá quentes, em garrafas térmicas, e mandioca cozida (sem sal). Coube a cada um de nós uma chávena de leite quente (e chá se quisesse), e duas mandiocas cozidas. Huum!... Uma delícia!... Mesmo sem sal…
Tudo na maior!... Se não fossem os mosquitos…
Dormimos o que pudemos.
Madrugada bem cedo chegaram 3 a 4 Jeeps que desceram a mata até bem perto do avião, com pessoas da Administração de Macia, com mais leite e chá quente, pão, bolos e bolachas… Ninguém passou fome mesmo…
Agora é que podíamos ver bem o avião. Só tinha os estabilizadores do leme da cauda esfrangalha-dos. O trem de aterragem, partido no primeiro e estrondoso embate, tinha ficado uns 100 metros atrás…o avião tinha deslizado “de barriga”… e parado a outros 100 metros das primeiras árvores em frente… Perícia do Comandante Álvaro Nogueira e... Milagre para todos!...
A caravana partiu aliviada e bem disposta para Macia. A Esposa do Administrador e as outras Senhoras tinham preparado um “lanche-almoçarado” volante, em grandes mesas. Comemos e bebemos refrigerantes e sumos à vontade.
- “Quem é o estudante António César Morais?...”
- “Sou… eu! Disse, admirado…
- “Venha daí, que vai ser o primeiro a ser evacuado! A avioneta já está pronta!
- “Mas… eu? … Porquê?... Assustei-me… (Avioneta!!! NÃO!!! Eu NÃO!!! De avião outra vez!!!!? Não! Não!... Mas que fazer para o evitar????)
- “Sim. O seu pai está no aeródromo do Bilene, à sua espera e pediu-nos para que fosse o primeiro a ir.”
- Mas… de avião?!!!...
- “Sim. O ciclone cortou a estrada entre Macia e o Bilene. Está tudo inundado. Tem de ser de avio-neta.”
Enfiaram-me um enorme casacão de couro, que me tapava até aos pés, e um capacete também de cabedal, de aviador, com óculos de protecção (daqueles antigos)… Bom até já me estava a sentir vaidoso com aquela fardeta, a sério, de aviador…
Sentei-me no lugar da frente, amarrado com vários cintos de segurança… com uma “desgramada” de uma “manete” de comando entre as pernas… que afastei o mais possível dela, durante toda a viagem (para não atrapalhar minimamente o comando da avioneta)… o piloto sentou-se no lugar de trás…
E lá fomos. A avioneta rolou na pista de Macia e… até rolar e parar na pista do Bilene… eu mal ousava esticar o pescoço para ir vendo os terrenos alagados que íamos sobrevoando…
E no Bilene tinha, claro, o “Pai-mais-querido-do-mundo” à minha espera.
Foi quando nos fotografaram para o Notícias.
Ele tinha sido o único pai que soubera do acidente na própria tarde do dia anterior, porque, estando de serviço em Lço. Marques, tinha ido ao aeroporto esperar-me. Tinha sabido da queda do avião com os motores parados por falta de gasolina… e só nessa manhã soubera que estávamos todos bem. Passara uma noite atroz!
Viemos de carro do Bilene para Lço. Marques. Dois dias depois estava de cama com uma crise valente de paludismo, que “graças-a-Deus” foi rápida e eficazmente debelada só com uma semanada de cama.
César Morais 2007
Fui buscá-la ao Blog da Luísa Hingá, para onde lha enviara há tempos.
Blog Voando em Moçambique
Estavam a acabar as férias. Recomeçavam as aulas no Liceu 5 de Outubro, o único em todo o Moçambique, na época. Tínhamos de voltar a abalar para Lço. Marques.
Eu voltava, uma vez mais, para casa do Sr. Abrunhosa, na 24 de Julho, nº 49.
O dia do “embarque”, no aeroporto de Quelimane estava marcado com antecedência. O tempo estava a pôr-se chuvoso, o que era “chato” para se andar de avião. Já tínhamos feito 4 vezes aquela viagem entre Quelimane e Lço. Marques. Sempre que íamos para, ou vínhamos, das aulas. A distância não permitia outro meio de transporte.
A DETA tinha uns aviões pequenos, que “dançavam” muito nos “poços-de-ar” e, faziam muito “mais esforço” a subir e a descer… Qual seria o que nos iria calhar desta vez?
Bom. Este avião vinha do Norte, de Nampula, já com alguns estudantes e, seguiria connosco, reco-lhendo mais alguém na Beira e, se calhasse... em Inhambane também.
Chegara o dia. Lá fomos para o aeroporto (era o “aeroporto velho” ainda). Estávamos lá todos, no bulício habitual destas chegadas e partidas. Os passageiros mais as famílias e amigos… mais os que por profissão a isso eram obrigados… e, vários curiosos. Havia uma série de coisas para fazer, antes de “embarcar”. Meu pai foi tratar disso.
Chegou algum tempo depois, mas... para dizer que o avião tinha chegado com uma avaria e que estavam a tratar disso…
-“Bolas! Ir num avião que acabava de chegar, avariado!!!!... Não me senti especialmente feliz com a notícia.”
Bom… o pior é que passada cerca de uma hora, nos vieram dizer que a avaria exigia uma peça nova, e que ela teria de vir de Lço. Marques… pelo que o voo ficava adiado.
Uf!... Pelo menos já não íamos naquele dia! Com uma avaria remediada, se calhar, à pressa!...
Voltámos para casa… mais uns dias de férias… Bestial!...
Dois ou três dias depois, com céu meio encoberto… lá voltámos ao aeroporto…
Desta vez era para valer mesmo. A peça tinha chegado e até tinha vindo com ela um Engenheiro da DETA, para corrigir a situação. Ele regressava a Lço. Marques connosco.
- “Todos a bordo!”
Fiquei sentado no último banco cá atrás, do lado direito da cabine… o único duplo. Mas fiquei junto à janela, donde podia ver tudo lá para baixo pois ficava atrás da asa direita. Ao meu lado ficou sentado um “miúdo”, também estudante, cujo nome e proveniência já me não recordo… e também, o tal Engenheiro da DETA.
Hoje ao ver uma réplica do Junker no Portugal-dos-Pequenitos em Coimbra… admira-me o quão pequeno era aquele avião… e como era pequena a cabina e acanhados os lugares para os passageiros. Na altura achei-o, com prazer… um avião bem grande, com uma cabina bem espaçosa… comparando-o com os outros em que já fizera aquela viagem antes… É giro ver como são diferentes as perspectivas, de acordo com as transformações que nós próprios vamos sofrendo!...
No banco à minha frente sentou-se a D. Ana do Chinde (que só agora fiquei a conhecer, ao ler o extracto do livro do Comandante Faria Peixoto). Vinha com uma perna engessada (provavelmente partida…) e que ajeitou ao lado do banco à sua frente. Era mesmo uma pessoa alegre e comunicativa.
Levantámos voo e seguimos viagem, impecavelmente, com bom tempo e, rapidamente estávamos acima daquelas grandes nuvens muito brancas e resplandecentes ao sol, desenhando aqui e ali formas variadas, com pequenos nichos de sombra, a dar-lhes aquela perspectiva tridimensional maravilhosa. Voávamos dentro de um pequeno-grande mundo virtual… que estava mesmo ali!
Parámos na Beira. Sempre uma delícia sair do avião!... Muito melhor do que quando entramos… Terra firme!... vida e movimento!... O calorzinho de “lá-de-fora”!... andar, ver e contactar com pessoas e paisagens diferentes…
Voltámos ao voo, a caminho de Lço. Marques… das aulas… das jogatanas muito disputadas ao berlinde, nos intervalos… dos jogos do “paulito” na Rua Coronel Galhardo por trás da 24 de Julho, com a “malta” (o Manel – Cara-Suja, o Rodrigo Tudela, o Nuno Revés, e às vezes outros que se nos juntavam) … das cowboiadas nas matinés de sábado no Scala, à borla, naquela “nossa” fila do balcão, com direito a filme duplo, mais um episódio do Super-Homem, mais aquele batido de sorvete e coca-cola na Socigel, naquela esquina para onde corríamos no intervalo da matiné… (era uma fila atribuída aos Cabaços e amigos – o Zé Luís Cabaço, o Manel Jorge, o Márito e a Nélita)…
Bom! Mas surpresa!... Estávamos a perder altura de forma controlada e íamos aterrar de novo!... Seria Inhambane?...
Era Mambone. Um aeroporto desactivado. Aterrava ali pela primeira vez. Bestial! Mais um aeroporto conhecido!... Era uma pequena pista (mal amanhada) e uma palhota grande, com espaços para as pessoas poderem estar… com bancadas de madeira… e um compartimento fechado, onde havia um telefone.
Tínhamos parado para que a tripulação ficasse a saber bem como estava o tempo entre Inhambane e Lço. Marques.
Havia um ciclone que se mantinha nessa zona. Ainda bem que o Comandante Nogueira tinha metido na Beira, gasolina em quantidade francamente superior à habitualmente necessária, pois iríamos ter assim, maior disponibilidade de recursos para enfrentar o mau tempo.
- “Tudo p'ró avião!”
E aos “tropeções” na pista de Mambone lá levantámos voo… (o último daquele Junker… que até tinha na altura, a mesma idade que eu… 11 anos).
O tempo estava magnífico… radioso…
… Bem à nossa frente! … De repente!... Desenhou-se o horrível!...
Uma enorme massa de nuvens cinzentas e negras… estendendo-se de horizonte a horizonte…em direcção às quais, estávamos inexoravelmente a voar…
Era nítida a diferença entre o espaço limpo, luminoso, ensolarado e rico daquelas nuvens, cúmulos majestosos, em que agora voávamos e aquela enorme massa cinzenta-negra, bem ameaçadora, em direcção à qual estávamos a avançar a grande velocidade.
Estamos tramados! Vai começar a “dança”! – pensei.
Os 3 motores do Junker mantinham a sua toada, ronronando de forma uniforme… a que já nos habituáramos…
Bom! Começou! Entrámos nas nuvens negras! O avião começou logo a sacudir-se… a abanar… e começaram os malditos poços-de-ar…de vez em quando lá tínhamos aquelas quedas-desamparadas… para logo depois ficarmos pregados nos lugares com o avião a retomar a altitude a toda a força dos seus três possantes motores da Junker.
Sentimos o avião a lutar para subir acima daquela massa de nuvens ameaçadoras… Continuavam as sacudidelas, abanões e poços-de-ar… mal saíamos de um, caíamos logo noutro!...
As pessoas começaram a enjoar e a vomitar nos respectivos sacos, que depois punham nas redes por cima das cabeças, já fechados e cheios.
Alguém precisou de ir ao WC, um pouco atrás do nosso banco… quando de lá saiu ficou um rasto algo mal-cheiroso… que acabou por passar…
O avião não conseguiu (ou não quiseram forçá-lo a isso) sobrepor-se às nuvens do ciclone, e à alti-tude a que voávamos viam-se em baixo, só copas-de-árvores-enormes e… água. Os terrenos que sobrevoávamos já estavam encharcados com aquela chuva ciclónica.
Lembro-me de pensar como seria bom que aterrássemos depressa para que aquilo tudo acabasse. Estávamos, de repente, todos exaustos de tanto abanão… de tanta tensão, com aquelas quedas bruscas e subidas também bruscas…
De repente!
- “Rezem meus filhos que vamos morrer! Avé Maria, cheia de Graça…”
A D. Ana do Chinde, mesmo à minha frente soltara este grito, começando logo a rezar… e nós todos a segui-la na oração e a responder-lhe alto nas – “Santa Maria, Mãe de Deus…”
Olhei de imediato para o meu motor (o da asa direita) e estava tudo bem. Foi quando consegui, apesar dos abanões, espreitar para o motor da esquerda… que percebi – estava parado!!!! Mas o Junker tinha 3 motores… O avião mantinha-se impecável no seu ímpeto selvagem a subir rapidamente quando recuperava de um poço-de-ar… os abanões e sacões eram os mesmos…
- “Santa Maria, Mãe de Deus…”
Pronto! Isto está mesmo mal! O motor da direita, ali mesmo a meu lado, “resfolegou”… ainda ten-tou… mas acabou também parado!!!... Como estaria o motor da frente?????
Também parara...
Aí vamos nós a planar… mas super-exaustos para pensarmos em alguma coisa… e anestesiados pela oração…
- “Avé Maria, cheia de Graça…”
Lá em baixo, agora mais nítido… era só água e copas-de-árvores… copas-de-árvores e água… chovia torrencialmente, relampejava e o avião sacudia-se numa “dança-maluca”…
- “Uiiiii!!!... Um poço-de-ar bem maior… em que o avião “parecia-que-se-tinha-dobrado-a-meio-e-descido-a-pique”… para endireitar-se depois… mas sem ter feito então, aquele potente esforço motorizado habitual para retomar a altitude…
- “ Santa Maria, Mãe de Deus…” Continuávamos todos a rezar. Tinham-nos mandado apertar os cintos. Nós naquele banco duplo, não os encontrámos. O Engenheiro fincou os pés na base do banco da frente e agarrou com força o meu companheiro, ao seu lado. A mim aconselhou-me que me segurasse ao ferro horizontal das costas do banco da frente e que baixasse a cabeça.
- Uiiii!!!... Mais uma vez aquele frio horrível na barriga, produzido por nova queda aparentemente a pique, devida a novo poço-de-ar e mais uma vez o avião a endireitar o nariz e a reequilibrar-se naquela barafunda infernal… mas sem voltar a ganhar altitude…
- “Ave Maria cheia de Graça…”
Já estávamos bem baixos… A aterragem estava eminente… Chovia torrencialmente… O avião sacudiu-se ao cortar os ramos de uns coqueiros e algumas árvores com as asas e os estabilizadores do leme e…
Buumm!...Buumm! Esssssssllslslsls!... Silêncio!...
Doía-me a cabeça à frente e atrás… das pancadas que terei dado no ferro do banco da frente…mas… de resto tudo bem! Logo apareceram os tripulantes com as caras ensanguentadas, com vários lenhos, escoriações e cortes… mas “completamente bem”!
Todos bateram as palmas e todos se levantaram a abraçar-se.
O Engenheiro com alguma dificuldade, pois escorregara e magoara uma perna debaixo do banco da frente do lado esquerdo da coxia central… a ponto de partir o banco. A D. Ana, com a sua perna engessada, escapara ilesa e fazia por se levantar e felicitar efusivamente os pilotos e todos. Estávamos todos bem!
O avião “sossegara” de vez! Lá fora só chuviscava e nem estava uma tarde muito escura!...
Com a violência do embate...os sacos com vómitos caíram de cima das redes e espalharam o con-teúdo por onde calhou. A porta do WC tinha-se partido… os cheiros misturaram-se e eram nauseabundos…
Vomitei! Por certo pelo cheiro… pelos nervos… pelo fim daquela tensão toda.
Abriram-se as janelas de emergência para ventilar… saíram os maus cheiros, mas entraram nuvens de mosquitos…
A porta do avião abriu, não sem alguma dificuldade.
Um ou dois dos tripulantes saíram, pois tinham avistado umas pessoas, por certo habitando ali por perto, que teriam presenciado a queda do avião. Mas voltaram sem terem encontrado ninguém, nem habitações.
Recolheram-se as bolachas, merendas e garrafas de água ou sumos que as pessoas levavam. À cautela.
Nós os miúdos, acomodámo-nos nos bancos em que vínhamos para não atrapalhar os movimentos e deliberações dos adultos. A noite caíu rápida. Acenderam-se candeeiros a petróleo para não gastar as baterias… necessárias para pedidos de socorro, pela rádio, na manhã seguinte.
Para os mosquitos da Lagoa Pati, em cujas margens tínhamos aterrado… estava a ser um festim… mas a cada palmada também matávamos aos seis ou sete de cada vez…
Os calções curtos e balalaica de manga curta que trazia… por mais que me enrolasse no meu canto do banco duplo… não me conseguiam livrar minimamente daquele feroz bicho da selva africana.
Os grilos, as rãs e a restante bicharada da zona, ia enchendo a noite de ruído… mas ruído do bom… ruído bem terrestre e conhecido… que nos encantou.
Olá! Estavam umas luzes lá fora a aproximarem-se de nós! Alguém vinha ter connosco!
Era um professor, regente escolar, de uma Escola próxima, que tinha sido alertado pelas tais pes-soas que tinham presenciado a queda do avião, e que já tinha enviado “estafetas” a comunicar a nossa situação e localização à Administração de Macia.
E… Maravilha! Trazia leite e chá quentes, em garrafas térmicas, e mandioca cozida (sem sal). Coube a cada um de nós uma chávena de leite quente (e chá se quisesse), e duas mandiocas cozidas. Huum!... Uma delícia!... Mesmo sem sal…
Tudo na maior!... Se não fossem os mosquitos…
Dormimos o que pudemos.
Madrugada bem cedo chegaram 3 a 4 Jeeps que desceram a mata até bem perto do avião, com pessoas da Administração de Macia, com mais leite e chá quente, pão, bolos e bolachas… Ninguém passou fome mesmo…
Agora é que podíamos ver bem o avião. Só tinha os estabilizadores do leme da cauda esfrangalha-dos. O trem de aterragem, partido no primeiro e estrondoso embate, tinha ficado uns 100 metros atrás…o avião tinha deslizado “de barriga”… e parado a outros 100 metros das primeiras árvores em frente… Perícia do Comandante Álvaro Nogueira e... Milagre para todos!...
A caravana partiu aliviada e bem disposta para Macia. A Esposa do Administrador e as outras Senhoras tinham preparado um “lanche-almoçarado” volante, em grandes mesas. Comemos e bebemos refrigerantes e sumos à vontade.
- “Quem é o estudante António César Morais?...”
- “Sou… eu! Disse, admirado…
- “Venha daí, que vai ser o primeiro a ser evacuado! A avioneta já está pronta!
- “Mas… eu? … Porquê?... Assustei-me… (Avioneta!!! NÃO!!! Eu NÃO!!! De avião outra vez!!!!? Não! Não!... Mas que fazer para o evitar????)
- “Sim. O seu pai está no aeródromo do Bilene, à sua espera e pediu-nos para que fosse o primeiro a ir.”
- Mas… de avião?!!!...
- “Sim. O ciclone cortou a estrada entre Macia e o Bilene. Está tudo inundado. Tem de ser de avio-neta.”
Enfiaram-me um enorme casacão de couro, que me tapava até aos pés, e um capacete também de cabedal, de aviador, com óculos de protecção (daqueles antigos)… Bom até já me estava a sentir vaidoso com aquela fardeta, a sério, de aviador…
Sentei-me no lugar da frente, amarrado com vários cintos de segurança… com uma “desgramada” de uma “manete” de comando entre as pernas… que afastei o mais possível dela, durante toda a viagem (para não atrapalhar minimamente o comando da avioneta)… o piloto sentou-se no lugar de trás…
E lá fomos. A avioneta rolou na pista de Macia e… até rolar e parar na pista do Bilene… eu mal ousava esticar o pescoço para ir vendo os terrenos alagados que íamos sobrevoando…
E no Bilene tinha, claro, o “Pai-mais-querido-do-mundo” à minha espera.
Foi quando nos fotografaram para o Notícias.
Ele tinha sido o único pai que soubera do acidente na própria tarde do dia anterior, porque, estando de serviço em Lço. Marques, tinha ido ao aeroporto esperar-me. Tinha sabido da queda do avião com os motores parados por falta de gasolina… e só nessa manhã soubera que estávamos todos bem. Passara uma noite atroz!
Viemos de carro do Bilene para Lço. Marques. Dois dias depois estava de cama com uma crise valente de paludismo, que “graças-a-Deus” foi rápida e eficazmente debelada só com uma semanada de cama.
César Morais 2007
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Histórias de um passado em Moçambique
Histórias de um passado em Moçambique - "Aterragem Forçada" (versão Cmdt.Faria Peixoto)
Também me parece interessante ouvir este relato de um camarada da D.E.T.A...
Mas com o meu colega, o Comandante Álvaro Nogueira, da D.E.T.A. deu-se um acidente de uma categoria à parte.
É um desses casos que ilustra do que um homem é capaz, quando perde o domínio da máquina.
Foi um Junker, um avião que depois de carregado pesa bem mais que dez toneladas. Era a altura da abertura das aulas no Liceu de Lourenço Marques e iam quinze estudantes e uma senhora, a D. Ana do Chinde, muito conhecida pela sua coragem e desenvoltura na vida.
Voavam da Beira para Lourenço Marques e o vento sul soprava fortíssimo. Começaram a aparecer nuvens negras, mas isso pouco afectava um bicho daqueles. O avião foi subindo, subindo, até que atingiu a altitude ideal para fazer o seu voo. Continuou, mas qualquer coisa de grave estava para acontecer.
A tempestade começou a tomar proporções assustadoras.
Ao fim de três horas, quando devia estar já próximo de Lourenço Marques, o avião era terrivelmente sacudido e quase que havia pânico a bordo. O Nogueira, através de azimutes constantes verificou que sofrera uma deriva extraordinária para a direita. Corrigiu o rumo e continuou na esperança de depressa alcançar Lourenço Marques. Mas ao fim de mais uma hora verificaria que se encontrava ainda muito distante.
O Junker é um avião bastante grande. Parece uma caixa e é muito vagaroso, de maneira que quan-do o vento lhe pega, é um instante enquanto o coloca numa posição que a gente não quer. Foi o que aconteceu. o avião devia estar muitíssimo à direita e então o Nogueira resolveu rodar noventa graus à esquerda do rumo que segui, pois quando baixasse teria o mar à sua frente sem obstáculo nenhum.
O tempo foi passando e andavam já no ar há perto de cinco horas. Vento fortíssimo e traiçoeiro conduzira para uma situação desesperada. Então, resolveu descer, e não tinha iniciado a decida há muito, quando os motores pararam. Três motores! Ele sentiu-se perdido. Quase, porque um piloto quando tem fibra, nunca se sente perdido.
E era um casarão enorme a vir por ali abaixo, sem apelo nem agravo. Tinha mesmo que vir. A chuva e o vento fustigavam-no numa sinfonia terrível.
Dizia-me mais tarde o Nogueira que só via chuva, relâmpagos e ouvia o avião a bufar. É que quando um avião vinha lá das alturas, naquelas circunstâncias, com a diferença rápida nas densidades da atmosfera, os nossos ouvidos sentem o avião bufar mesmo. Toda a atenção do piloto se concentrou para que, logo que visse terreno, fosse de que espécie fosse, meter lá a máquina, sabendo de antemão que a partia mesmo, mas tentando safar os seus passageiros.
E safou-os! De repente, já muito baixo, a razar o chão, viu água numa lagoa, à beira-mar, que tinha uma margem formidável e que recebeu o avião de braços abertos. Descoberto aquilo, foi meter um pé no pedal, o avião deslizou de lado, endireitou-o, perdeu a velocidade, bateu com a cauda num cajueiro - onde ficou - e bateu pesadamente à frente, jé em terreno firme. O choque ainda foi grande e o avião ficou inutilizado. Estava apenas a vinte minutos de Lourenço Marques. A miudagem tinha antes sido bem amarrada nos seus lugares, mas houve uma tal de Malicha, que era uma miúda levada da breca, que tinha desapertado o cinto por sua alta recreação. No momento da aterragem voou por cima das cadeiras todas, de unhas abertas e foi cravá-las em desespero no pescoço e braços de uma colega, Fernanda Marçal, que ia bem à frente.
Foram as únicas que tiveram ferimentos. Os tripulantes Nogueira, José Rodrigues e Trancoso, como tiveram de encarar de frente a situação por que passavam, foram dar as respectivas caras bem naquele imenso tablier e lábios inchados e arranhões não lhes faltaram.
Mas tudo correra bem. Passaram depois uma noite diabólica ali ao pé da lagoa, onde os mosquitos zumbiam aos milhões. Pela madrugada vieram socorros. Alguém dera pelo que se passara e foi à Administração mais próxima avisar. Foram todos transportados de carro até Lourenço Marques e aí seria a Rádio a tirar partido do acontecimento sensacional. As miúdas foram entrevistadas e teceram elogios formidáveis ao piloto. A D. Ana do Chinde, então exuberante como era e contente como estava por se safar daquela, dizia: "Só a este belo pessoal da D.E.T.A. se deve não ter havido desastre fatal! Todos devemos a vida ao sangue frio e à pericia do Comandante Nogueira!" Quando chegou a vez deste falar, foi pior.
O locutor procurava tirar o máximo partido da situação, perguntando-lhe quais as suas reacções naqueles momentos terríveis, com os motores parados ainda no meio do temporal, e se ele tivera esperanças de não matar toda aquela gente, Então ele, Nogueira, deve ali mesmo ter recordado os maus momentos por que passou e deve ter sentido o tal nó na garganta. Sentiu uma emoção grande e só disse: "Tivemos sorte!" As lágrimas rolaram pela cara abaixo e não pôde dizer mais nada.
Ele portara-se à altura!
.......................Cmdt.Faria Peixoto)............
enviado por: César Morais
Mas com o meu colega, o Comandante Álvaro Nogueira, da D.E.T.A. deu-se um acidente de uma categoria à parte.
É um desses casos que ilustra do que um homem é capaz, quando perde o domínio da máquina.
Foi um Junker, um avião que depois de carregado pesa bem mais que dez toneladas. Era a altura da abertura das aulas no Liceu de Lourenço Marques e iam quinze estudantes e uma senhora, a D. Ana do Chinde, muito conhecida pela sua coragem e desenvoltura na vida.
Voavam da Beira para Lourenço Marques e o vento sul soprava fortíssimo. Começaram a aparecer nuvens negras, mas isso pouco afectava um bicho daqueles. O avião foi subindo, subindo, até que atingiu a altitude ideal para fazer o seu voo. Continuou, mas qualquer coisa de grave estava para acontecer.
A tempestade começou a tomar proporções assustadoras.
Ao fim de três horas, quando devia estar já próximo de Lourenço Marques, o avião era terrivelmente sacudido e quase que havia pânico a bordo. O Nogueira, através de azimutes constantes verificou que sofrera uma deriva extraordinária para a direita. Corrigiu o rumo e continuou na esperança de depressa alcançar Lourenço Marques. Mas ao fim de mais uma hora verificaria que se encontrava ainda muito distante.
O Junker é um avião bastante grande. Parece uma caixa e é muito vagaroso, de maneira que quan-do o vento lhe pega, é um instante enquanto o coloca numa posição que a gente não quer. Foi o que aconteceu. o avião devia estar muitíssimo à direita e então o Nogueira resolveu rodar noventa graus à esquerda do rumo que segui, pois quando baixasse teria o mar à sua frente sem obstáculo nenhum.
O tempo foi passando e andavam já no ar há perto de cinco horas. Vento fortíssimo e traiçoeiro conduzira para uma situação desesperada. Então, resolveu descer, e não tinha iniciado a decida há muito, quando os motores pararam. Três motores! Ele sentiu-se perdido. Quase, porque um piloto quando tem fibra, nunca se sente perdido.
E era um casarão enorme a vir por ali abaixo, sem apelo nem agravo. Tinha mesmo que vir. A chuva e o vento fustigavam-no numa sinfonia terrível.
Dizia-me mais tarde o Nogueira que só via chuva, relâmpagos e ouvia o avião a bufar. É que quando um avião vinha lá das alturas, naquelas circunstâncias, com a diferença rápida nas densidades da atmosfera, os nossos ouvidos sentem o avião bufar mesmo. Toda a atenção do piloto se concentrou para que, logo que visse terreno, fosse de que espécie fosse, meter lá a máquina, sabendo de antemão que a partia mesmo, mas tentando safar os seus passageiros.
E safou-os! De repente, já muito baixo, a razar o chão, viu água numa lagoa, à beira-mar, que tinha uma margem formidável e que recebeu o avião de braços abertos. Descoberto aquilo, foi meter um pé no pedal, o avião deslizou de lado, endireitou-o, perdeu a velocidade, bateu com a cauda num cajueiro - onde ficou - e bateu pesadamente à frente, jé em terreno firme. O choque ainda foi grande e o avião ficou inutilizado. Estava apenas a vinte minutos de Lourenço Marques. A miudagem tinha antes sido bem amarrada nos seus lugares, mas houve uma tal de Malicha, que era uma miúda levada da breca, que tinha desapertado o cinto por sua alta recreação. No momento da aterragem voou por cima das cadeiras todas, de unhas abertas e foi cravá-las em desespero no pescoço e braços de uma colega, Fernanda Marçal, que ia bem à frente.
Foram as únicas que tiveram ferimentos. Os tripulantes Nogueira, José Rodrigues e Trancoso, como tiveram de encarar de frente a situação por que passavam, foram dar as respectivas caras bem naquele imenso tablier e lábios inchados e arranhões não lhes faltaram.
Mas tudo correra bem. Passaram depois uma noite diabólica ali ao pé da lagoa, onde os mosquitos zumbiam aos milhões. Pela madrugada vieram socorros. Alguém dera pelo que se passara e foi à Administração mais próxima avisar. Foram todos transportados de carro até Lourenço Marques e aí seria a Rádio a tirar partido do acontecimento sensacional. As miúdas foram entrevistadas e teceram elogios formidáveis ao piloto. A D. Ana do Chinde, então exuberante como era e contente como estava por se safar daquela, dizia: "Só a este belo pessoal da D.E.T.A. se deve não ter havido desastre fatal! Todos devemos a vida ao sangue frio e à pericia do Comandante Nogueira!" Quando chegou a vez deste falar, foi pior.
O locutor procurava tirar o máximo partido da situação, perguntando-lhe quais as suas reacções naqueles momentos terríveis, com os motores parados ainda no meio do temporal, e se ele tivera esperanças de não matar toda aquela gente, Então ele, Nogueira, deve ali mesmo ter recordado os maus momentos por que passou e deve ter sentido o tal nó na garganta. Sentiu uma emoção grande e só disse: "Tivemos sorte!" As lágrimas rolaram pela cara abaixo e não pôde dizer mais nada.
Ele portara-se à altura!
.......................Cmdt.Faria Peixoto)............
enviado por: César Morais
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