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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O PARQUE NACIONAL DA GORONGOSA DE NOVO NA BOLSA DE TURISMO DE LISBOA

O SALVADOR DA GORONGOSA

"Greg Carr, o multimilionário que inventou o voice mail, apresenta esta terça-feira, em Lisboa, um documentário sobre o parque natural de Moçambique, em cuja reabilitação vai investir 24,7 milhões de euros. Em Novembro de 2006, a VISÃO visitou aquela reserva e conversou com o filantropo. Leia ou releia a reportagem e veja a galeria de fotos J. Plácido Júnior 12:14 Terça-feira, 12 de Jan de 2010



Greg Carr

Um homem louro, de faces rosadas e estatura média, calcorreava o aeroporto da cidade da Beira de T-shirt desajeitada e calções. Quanto a nós, procurávamos um multimilionário, de que só sabíamos o nome. Surpresa: aquele quarentão descontraidíssimo era mesmo Gregory Carr, o filantropo que se propõe gastar 36 milhões de dólares (24,7 milhões de euros) na reabilitação do Parque da Gorongosa, 3 770 quilómetros quadrados na província de Sofala, no centro de Moçambique, que noutros tempos acolheram a maior densidade de animais em África. Ali ocorreram dos mais encarniçados combates entre as tropas do Governo da Frelimo e os guerrilheiros da Renamo, ao longo dos 16 anos de guerra civil (que terminou em 1992), a que se juntaram a caça furtiva e a fome. Resultado: grandes mamíferos dizimados em mais de 95%, e os 54 diferentes ecossistemas largamente afectados. Quando demos por ela, já estávamos a voar no helicóptero, com cinco lugares, de Greg Carr, 47 anos. Com o seu computador portátil ao colo e aberto, ao lado do piloto, ele aproveitou a breve viagem, de menos de meia-hora, para desfiar uma torrente de assuntos a dois colaboradores, através do circuito interno de som. Não escondeu a sua insatisfação quanto ao que nos pareceu ser o planeamento financeiro do projecto. Mas, chegados à Gorongosa, distribuiu alegremente guloseimas por um magote de miúdos. Naquele dia, faltou-lhe tempo para levar alguns dos catraios numa volta de "heli", como, asseguraram-nos, faz com frequência. Imagine-se aqueles filhos da pobreza extrema a sobrevoar o parque, quando, muito provavelmente, nem sequer de automóvel ainda andaram!... Puro marketing? Arriscamos a negativa. Empurrão dos Kennedy

"Não é dos que põem cá um dólar, para levar um dólar e meio", acredita um moçambicano do seu staff. A verdade é que Greg Carr ganhou a confiança de figuras como o escritor Mia Couto, 51 anos, que trabalha no projecto enquanto biólogo. Em 2004, o então Presidente da República, Joaquim Chissano, abriu as portas da Gorongosa à Fundação Carr (instituição sem fins lucrativos que Greg criou em 1999), para uma gestão a 30 anos do parque, em conjunto com o Ministério moçambicano do Turismo. Por detrás, estiveram os Kennedy. Expliquemo-nos: foi num encontro promovido pela mítica família de JFK que Greg Carr conversou com Carlos dos Santos, à época embaixador de Moçambique na ONU e um dos diplomatas africanos mais ouvidos em Nova Iorque e em Washington. "Pediu-me para ajudar na luta contra a pobreza", conta o multimilionário.Quando chegou à Gorongosa, com a sua majestosa serra, onde nascem os rios que irrigam a reserva, ficou boquiaberto: "É isto", lembra-se de ter dito. "Não preciso de ver mais nada." No acampamento de Chitengo, Greg Carr parece o homem mais convicto do mundo.

"Este parque tem potencial suficiente para ser a máquina económica impulsionadora do desenvolvimento do centro de Moçambique." É de crer no veredicto, quando vem de alguém que, acerca do seu enriquecimento precoce, singelamente nos diz: "Tive uma ideia que se chama voice mail." Já iremos à explicação do jackpot. Só para reforçar a nossa negativa quanto ao "puro marketing", diga-se já que o multimilionário vive numa tenda (os bungalows destinam-se aos turistas que começam a aparecer), com uma cama e uma casa-de-banho, e o seu duche, ao contrário do dos clientes, é de água fria e fraca pressão. Ao ritmo do sol africano, levanta-se às cinco/seis da manhã e deita-se pelas oito/nove da noite. No dia seguinte à nossa chegada, cruzámo-nos com ele em Chitengo, a caminhar de computador portátil numa mão. Demos-lhe conta do principal resultado do safari madrugador - tínhamos visto sete leoas, certamente já saciadas, porque deixaram em sossego antílopes que circulavam por perto. Ergueu os braços, a vitoriar o avistamento. Fonte de regozijo é também o progressivo regresso de elefantes ao parque. Búfalos, há-os igualmente. Recentemente, Greg Carr comprou 54 ao sul-africano Kruger Park, gastando na operação 100 mil euros. Mas a reintrodução de bichos vai continuar, pelo menos, até 2015, obrigando ao dispêndio de muito, muito dinheiro pela Fundação Carr na aquisição de animais - mais búfalos e elefantes, zebras, gnus, hipopótamos, cudos, elandes, rinocerontes... [Com os pássaros, não tem de se preocupar: existem mais de 400 espécies na reserva.] A isto somam-se 14 milhões de dólares (9,6 milhões de euros) destinados à construção de estradas, pontes, edifícios (incluindo um centro de investigação científica) e uma nova pista de aviação. Serão quatro anos a todo o vapor, até 2010, quando se realiza o Campeonato do Mundo de Futebol na África do Sul, motor de que Greg quer tirar partido para que a Gorongosa atinja, no mínimo, 50 mil visitantes/ano. De Harvard para o mundo O nosso homem é oriundo de um quase obscuro Estado no Noroeste dos EUA, Idaho, sobretudo conhecido como "terra das batatas". Na Universidade estadual do Utah, ao invés de dois dos seus seis irmãos, que ali cursaram Direito, de estatuto mais comparável ao do pai, cirurgião em Idaho Falls (cidade-natal da família), Greg tirou História, em busca dos "ideais nobres do passado". Dispensou o apoio familiar, arranjou um quarto emprestado na casa de uma velhota parcialmente cega, contra a promessa de lhe ler alto os jornais, e conseguiu um emprego nocturno num resort local. Depois, para seu próprio espanto ("Sou do Idaho, santo Deus", comenta, a propósito), foi admitido na Escola Kennedy de Governação, na Universidade de Harvard, no curso de Relações Internacionais. A sua vida deu, então, uma grande volta. Em Harvard, criou um clube de empresários com estudantes da universidade e do também mítico MIT (Massachusetts Institute of Technology). As reuniões semanais prolongavam-se pela madrugada, e as ideias para novas firmas nasciam como cogumelos. Greg Carr acabou por se aproximar mais de Scott Jones, um cérebro made in MIT. O jovem de Idaho (estamos na década de 1980), que guiava um Datsun a cair de podre, anteviu suculentas oportunidades a partir do momento em que o Governo federal quebrou o monopólio telefónico da AT&T e, do mesmo passo, pôs fim à proibição de novos serviços para os clientes. Entrou em campo a tal "ideia que se chama voice mail", a que rapidamente se seguiram o fax e o reencaminhamento de chamadas. Greg e Scott formaram a Boston Technology, e gastaram todo o Outono de 1988 a inventar um sistema de correio de voz com uma capacidade 20 vezes superior à dos então existentes. Melhor explicado: Greg arranjava investidores entre familiares, amigos e quem estivesse interessado em arriscar num produto nunca concebido; Scott tratava do software, acompanhado de uma trupe do MIT. Clientes: a Bell Atlantic e os seus 50 mil telefones residenciais.O sistema e o negócio não podiam ter corrido melhor. No momento seguinte, a Boston Technology já trabalhava para 12 das 20 maiores companhias telefónicas do mundo - dominava os mercados norte-americano e japonês, e entrava na América Latina. Num ano, as receitas passaram de 2,5 para 25 milhões de dólares (17,2 milhões de euros), e a companhia ingressou na bolsa. Greg Carr era, desde o princípio, presidente do conselho de administração e um dos principais accionistas. Até que, em 1998, a israelita Comverse comprou a Boston Technology por 800 milhões de dólares (mais de 550 milhões de euros). Aos 39 anos, o filho mais novo do cirurgião Carr, de Idaho Falls, tornava-se multimilionário. Mas quanto ganhou, exactamente? "Muito mais do que precisava", responde o felizardo, na noite de Chitengo. Okay. Dois anos antes do jackpot, Greg tivera outro golpe de asa. Com a Internet ainda na idade medieval, convenceu investidores a comprar, à IBM e à Sears, um moribundo fornecedor de serviços virtuais - a Prodigy. Esteve à frente da empresa apenas o tempo suficiente para a ressuscitar e rendibilizar. E que solução inventou ele? Virou-se para África, que a concorrência olimpicamente ignorava, e pôs o continente negro on-line. Simples.Só lhe falta procriar Moçambique ainda estava longe. Antes do país de Samora Machel, a Fundação Carr gastou fundos num Centro de Direitos Humanos, em Harvard (18 milhões de dólares/12 milhões de euros), e num museu em Idaho (2 milhões de dólares/1,3 milhões de euros). Na Gorongosa, Greg quer chegar, em 2010, a 39 milhões de euros de receitas anuais, pelo menos. Mas tem um compromisso com as populações que vivem nos limites e dentro da reserva - no mínimo, 100 mil pessoas: 20% do encaixe é para melhoramentos nas suas aldeias. Pretende criar mil empregos directos; os indirectos são incalculáveis. Também não esquece a componente de luxo, que considera essencial para a rendibilização do projecto. E, claro, leva o assunto tão a sério quanto isto: "Os objectivos que tinha anteriormente são os mesmos de agora - erguer uma organização, trabalhar com as pessoas. Gerir um parque como este é um negócio. Penso muitas vezes, aliás, em como é similar com os que tive." Telefonicamente, o secretário de Estado português dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, João Gomes Cravinho, 42 anos, amacia-lhe a farda de executivo puro e duro. "Greg Carr reúne uma configuração muito rara: é um idealista prático e pragmático, e, ainda por cima, está disponível para usar o seu próprio dinheiro." Por isso, ao conhecê-lo, o governante de imediato arranjou maneira de o ajudar: pô-lo em contacto com o Instituto de Investigação Científica e Tropical, que possui um património único de estudos geográficos e geológicos da Gorongosa, e ainda desencantou cerca de 300 mil euros, do erário nacional, para apoiar iniciativas portuguesas adequadas ao projecto educativo que o norte-americano tem para a região.Greg Carr já conhece como poucos a Gorongosa. Quando é surpreendido por algum recanto desconhecido, manda o "heli" poisar e ordena: "Venham buscar-me daqui a três horas." E embrenha-se na selva, sempre acompanhado pelo seu inseparável braço-direito, o português Vasco Galante, 50 anos. Ao descobrir as quedas de água do rio Mussapassa, por exemplo, Vasco apanhou um enorme susto: de surpresa, o multimilionário mergulhou, vestido, sem pensar em crocodilos ou em cobras. Quanto aos régulos, os chefes das aldeias, trata-os a quase todos pelo nome.Solteiro sem "tempo para a vida pessoal", falta-lhe contribuir, como a sua mãe não se cansa de lhe lembrar, para a legião de netos - e são já 15. Quem sabe se Moçambique resolverá esse problema a Greg?

VEJA A GALERIA DE FOTOS DESTA REPORTAGEM

Nota: Link para o site do Parque da Gorongosa, onde encontra o trailer do documentário "Africa's Lost Éden", que começará a ser exibido nas televisões de todo o mundo a partir do próximo mês e, posteriormente, lançado em DVD: http://gorongosa.net/ "

(FIM DE CITAÇÃO)
(TEXTO E FOTO EXTRAÍDOS DO SITE DA REVISTA VISÃO)


Acrescentamos a este texto mais um dado: A projecção do mencionado documentário "Africa´s Lost Éden", terá uma segunda sessão na próxima Quinta-Feira, dia 14, pelas 16,00 horas, no Auditório da BTL, Pavilhão 3, na FIL.

Saudações amigas!

Amor-Leiria, 12 de Janeiro de 2009



Celestino Gonçalves

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Histórias de um passado em Moçambique - Bispo da Beira, D. Sebastião Soares de Resende



Vivi sempre na Beira, onde nasci, por isso em 21 anos tenho algumas histórias que se passaram na minha vida, mas de momento recorreu-me uma muito marcante na minha memória: a morte do Bispo da Beira, D. Sebastião Soares de Resende...


D. Sebastião foi sempre para a minha Família uma personalidade distinta pela sua humanidade e pela sua inteligência. Lembro-me das missas celebradas pelo mesmo, assim como as visitas feitas a uma Escola Primária na Manga, apenas para negros e eu corria para o cumprimentar, ou seja,"beijar-lhe" o anel. Tinha sempre um gesto e palavra de carinho para comigo e irmãos....assim como para os meus Pais, pois casou-os pela Igreja!....

Ele sabia que estava doente com um cancro e que tinha vindo cá a Portugal fazer uns tratamentos, mas infelizmente em vão...Era uma pessoa tão humilde, que apesar de ter um ar-condicionado no seu quarto, nunca o utilizou, assim como nunca trocou o colchão de colmo, por um de "molas"(como dizíamos).

Certo dia, o meu Pai disse-nos que tinha uma triste notícia: a morte de D.Sebastião! Chorámos e apesar de miúdos, quisemos ir ao seu enterro...Lembro-me de o fazermos a pé e ao nosso lado, haver gente de várias raças e todos choravam...e o pior para mim foi vê-lo naquela campa rasa, que tinha pedido, para ser pisado por todos nós. Sempre que passava de carro rezava por Si e em 2000 quando voltei à Beira, foi a primeira coisa que fiz com o meu irmão e ambos chorámos...mas felizmente que as nossas flores não eram as únicas! Há sempre quem se lembre de D.Sebastião!!!!....

Gisela Capelo Rocolle
Janeiro de 2010

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Ao encontro do Alentejo - Protoloco com a Coimbratur








23 e 24 de Janeiro


APRESENTAÇÃO

A Fundação Eugénio de Almeida é uma Instituição de direito privado e utilidade pública, sediada em Évora. Criada em 1963 pelo Eng.º Vasco Maria Eugénio de Almeida, Conde de Vill’Alva, com o objectivo de apoiar o desenvolvimento da região de Évora. A visita guiada a esta Fundação inclui varias alternativas onde se pode desfrutar de um passeio pelo seguinte Roteiro Cultural: Páteo de S. Miguel, Paço dos Condes de Basto, Capela de S. Miguel e Frescos das Casas Pintadas.


“Da plantação até à chávena, passando por todas as fases que contribuem para o tornar numa das bebidas civilizacionais” É desta forma que o café é abordado no museu que lhe é dedicado (Museu do Café) nas instalações da Delta, em Campo Maior. O espaço nasceu em 1994 e sistematiza a história do bago que nasce em latitudes tropicais, tornado numa bebida aromática, forte, com um carisma e sedução que cativa há muitos séculos. A mostra, organizada numa sequência lógica de produção e comercialização, revela segredos, técnicas, artes e engenhos relacionados com a epopeia deste alimento. O espaço encontra-se organizado áreas temáticas.: Portugal na história do café, da planta ao grão (numa estufa encontram-se plantadas várias espécies de cafeeiros); Campo Maior, capital da torrefacção portuguesa.



PROGRAMA

Dia 1

07h15 - Concentração dos participantes junto ao Hotel Tryp, Coimbra
07h30 - Partida em direcção a Évora
11h30 - Vista ao Museu Municipal de Évora
13h30 - Almoço incluído em restaurante local
15h30 - Visita guiada à Fundação Eugénio de Almeida em Évora
19h00 - Estadia no Hotel de Santa Beatriz***, em Campo Maior
20h00 - Jantar incluído no restaurante do hotel

Dia 2

9h30 – Pequeno-almoço no hotel e check-out
10h00 - Visita guiada a Adega Maior e ao Museu do Café em Campo Maior
13h30 - Almoço incluído em restaurante local
16h30 - Regresso para Coimbra
19h30 - Jantar incluído em Almeirim
21h30 – Partida para Coimbra
23h00 – Chegada a Coimbra

Preço por pessoa em Quarto Duplo: 205€ / Quarto Single: 225€

Para reservas, contactar: 239 840 080 / 912 507 607

www.coimbratur.com


O Preço Inclui: autocarro; visitas; refeições; alojamento; Guia acompanhante da Coimbratur e IVA.

Nota: Programa sujeito a mínimo de 25 participantes.

Vem dançar na Acrenarmo !!!


sábado, 19 de dezembro de 2009

Natal 2009


NATAL EM MOÇAMBIQUE



Branco e alto sou “Patrrão”

Pr’ós miúdos “Maningue Big”

Por vezes Bóer...Africânder

“Mais Velho: afenal és Português...!?”

Para as pitas já sou madala...(?)

Pr’ós colonos Vasco Da Gama...

Para os amigos sou poeta, um sonhador...

Cá p’ra mim, não sou ninguém!

Até "desconsegui" ser Pai Natal...

Faltam-me os Meninos Jesus

Tenho comigo o Espírito

Da minha Nossa Senhora

Que tudo,

Até a vida,

Me deu...



Em sorrisos vejo abraços

de quem não ousa tocar-me.

Então sou eu quem aperto

mão a mão

com coração.



E neste lado da Terra respiro paz e espaço,

Vendo o Natal assim:

No Presépio de capim, Menino e Família são Negros,

Missa do Galo é batuque

na praia se faz a fogueira;

não há sapato, há pègada e

as prendas são corais,

consoada é peixe pedra,

a batata é mandioca,

grêlos são a “matapa”

bebida é “Ntontonto” ou Sura, e

resiste o garrafão...

Corpo e espírito num só

Pouca riqueza, talvez!!!

Mas tanta, tanta ternura no gesto

Que Natal é:

“ Era uma vez...

-Autor desconhecido-
Moçambique
Natal 2009

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O almoço de NATAL dos Beirenses em Oeiras



Amiguinhas e amiguinhos,


O almoço de NATAL dos Beirenses em Oeiras é no dia 19 do próximo mês de Dezembro.

Como sempre o preço é de 15€ por pessoa (tudo incluído). Não é preciso fazer marcação, embora seja sempre bom avisarem os organizadores para se ter uma ideia de quantos lugares são necessários.

Os "morfes" como sempre no Natal, é o tradicional bacalhau cozido. Se alguem não gostar pode escolher outro prato.

Um apelo especial aos PIONEIROS da escola, que sempre têm vindo aos 3 principais almoços anuais em Oeiras, para informarem um dos organizadores abaixo indicados.

O local dos "morfes" é no Restaurante a Quinta no lado Norte da estação de Oeiras.

Com esta notícia, não sei se haverá lugares para todos!...


O JORGE CORTEZ, telefonou-me hoje e ofereceu-se para ír tocar durante o nosso almoço ( de borla... sem que tenhamos de pagar os quinhenta)

Lembram-se do JORGE CORTEZ? Aquele reguila, vocalista do conjunto "OS REBELDES"? É ele mesmo que nos vai acompanhar musicalmente durante o nosso almoço do dia 19, no restaurante a QUINTA junto à estação da CP em Oeiras.

Em nome de todos os BEIRENSES, um muito OBRIGADO caro Jorge.

Aqueles que me diziam que só íam pessoas pertencentes à "BRIGADA DO REUMÁTICO", agora já não têm argumento para não ír. Ah...Ah...Ah...

Embora óh cambada... telefonem a um dos elementos da organização e inscrevam-se.

Vêm pessoas do Norte (Zona do Porto), do Algarve (Zona de Faro e Portimão),de Sines.

Está a ter muita aceitação. Há até 200 lugares.


A organização está admirada do numero crescente de inscrições pela primeira vez...



Beijinhos e abraços,

Mário Santos



Contactos dos organizadores:

Montanha 918 954 770

Cotrim - Mestre 916 828 993

Mário Santos 914 845 057

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Exposição de Escultura "Batalha Campal" de Paulo Honorato

 "Batalha Campal"



O nome "Batalha Campal" é alusivo à Batalha de Aljubarrota.

A 14 de Agosto de 1385, as tropas portuguesas e o exército castelhano combatem arduamente em S. Jorge. Esta exposição traduz o sentimento de vitória, a força e valentia do exército português.

As figuras simbolizam dureza, invocando Cristo como o principal herói da humanidade.


Paulo Honorato

Nasceu a 28 de Outubro de 1969 na cidade de Coimbra. Iniciou o seu trabalho artístico nos finais da década de 80 na cidade de Amadora, onde viveu toda a sua infância e adolescência. O seu percurso artístico foi dedicado à escultura e pintura, tendo realizado diversas exposições. Entre 1989-1995 participou em vários concursos de jovens pintores nas cidades de Amadora, Loures e Lisboa.


Participou na Bienal de Escultura da Amadora. Entre 1993 e 1995 trabalhou como cenógrafo numa empresa de decoração e vitrinismo.


De 1995 a 2006 montou uma pequena fábrica de mobiliário e iluminação em ferro, onde criou vários modelos originais de peças decorativas funcionais, de índole ético e urbano.

Teatro na Acrenarmo 19/12/09


Reportagem de Celestino Gonçalves (Marrabenta) do convívio dos 25 anos da Acrenarmo




BODAS DE PRATA DA ASSOCIAÇÃO CULTURAL E RECREATIVA DOS NATURAIS E EX-RESIDENTES DE MOÇAMBIQUE – ACRENARMO



Realizou-se no passado dia 12, em Leiria, um almoço convívio de naturais e ex-residentes de Moçambique, para comemorar o 25º aniversário desta associação, cuja sede é nesta mesma cidade.

O evento reuniu mais de três centenas de pessoas idas de todos os pontos do país e teve também a presença de alguns convidados entre eles o presidente da direcção da Casa de Moçambique e Embaixador da Paz em Lisboa, Dr. Enoque João.



Os participantes iam chegando! O Dinis Marques (esquerda) sempre activo na colheita de imagens! Ao centro o “velho” Romão Félix, muito acarinhado neste e noutros encontros do género! Paulo Batista (de costas), vai dando orientações!



Durante os aperitivos na esplanada do complexo da Quinta dos Lagos



Boa disposição até nas crianças que provavelmente já ouviram muitas histórias de Moçambique!




Lurdes, Zé Reinaldo e Dinis nos aperitivos





O povo dirige-se ao salão de festas!



O almoço ia começar!

Tive a oportunidade de estar entre os participantes, com a Xinavanense que me atura há mais de meio século e ambos tivemos a oportunidade (diria mesmo felicidade) de rever alguns amigos e conhecer pessoalmente dezenas de outros que ao longo dos últimos nove anos entraram virtualmente pela nossa casa adentro graças ao abençoado sistema que dá pelos nomes de e-mails e Blogues!




Com a Xinavanense que me atura há mais de meio século!

Houve emoção a rodos nos momentos passados com essas pessoas e com elas recordamos coisas agradáveis das nossas vivências em Moçambique. Os outros participantes no encontro viveram idênticos momentos!



Com a querida amiga e antiga companheira de trabalho Ana Maria Fraga (Nika)!
(foto do amigo Dinis)



Com a Dr.ª Sara Mulinde e Dinis Marques (dono da foto)!



Diálogo muito animado entre Lurdes/Drª Sara



Com a sobrinha de um saudoso amigo da Beira – Alberto Novais de Sousa Araújo - grande caçador e pioneiro do turismo cinegético em Moçambique!


Curiosamente, na nossa mesa, sentaram-se três casais que nunca antes tiveram qualquer contacto connosco aqui em Portugal. Ao fim de alguns minutos de conversa falamos de algumas passagens das nossas vidas em Moçambique que muito nos aproximaram. Ou porque fomos colegas de trabalho; ou porque vivemos nos mesmos locais do interior; ou porque tivemos amigos comuns, etc., etc.



O inseparável Zé Reinaldo na nossa mesa!



Outros companheiros de mesa



Outro pormenor da nossa mesa



Mais um pormenor da nossa mesa quando a Nika nos foi visitar!

Momentos especiais foram decorrendo ao longo da tarde e parte da noite deste encontro. Todos mereceram especial atenção, mas um deles sensibilizou particularmente os presentes quando através da instalação sonora do salão anunciaram que um dos convivas, o Sr. António Costa, comemorou neste ano o seu 100º aniversário! Cantou-se o “Parabéns a Você” com grande entusiasmo e o simpático aniversariante centenário sentiu bem o calor humano e o carinho de todos os presentes!



O centenário aniversariante – António Costa – bem rodeado de amigos e da filha Cremilde (parcialmente encoberta à direita)!

Intercalados por pausas aproveitadas pelos presentes para trocar impressões entre si, andando de mesa em mesa, foram surgindo os outros momentos, primeiro a cerimónia de atribuição por parte da direcção da ACRENARMO de recordações de honra a alguns sócios fundadores ali presentes.



As pessoas visitam-se umas às outras durante as pausas do prolongado almoço!



Chamada ao palco dos sócios fundadores homenageados



Momento em que um dos homenageados recebia o diploma de honra de sócio fundador da ACRENARMO



Outro dos homenageados saindo do palco

Depois, o ponto alto do convívio, que foi a intervenção do artista Romão Félix, o célebre “Parafuso” que se tornou uma figura incontornável na arte de imitar alguns moçambicanos que tinham uma forma muito característica de se expressar em português. Apesar da sua rápida passagem pelo palco, onde apresentou apenas dois números do seu vasto reportório, a assistência dispensou-lhe uma grande ovação!



Romão Félix em actuação!



Os convivas assistem com entusiasmo à actuação de Romão Félix!

A seguir o presidente da ACRENARMO, apresentou os moçambicanos Dr. Enoque João e Dr.ª Sara Mulinde, que encantaram os convivas tanto pela forma descontraída própria dos nossos irmãos da beira do Índico, como pelas mensagens fraternas e encorajadoras que transmitiram nos seus breves discursos e que deixaram os mais cépticos esclarecidos de que existe um Moçambique novo, aberto a todos os irmãos portugueses para ali se deslocarem, fixarem de novo e até obterem a nacionalidade moçambicana quando reúnam as condições para tal, como por exemplo os que lá nasceram.

As palavras finais do Dr. Enoque João foram dirigidas ao artista Romão Félix, elogiando-o e encorajando-o a continuar a encantar as pessoas com a sua arte de bem recordar Moçambique e a sua boa gente!



O anfitrião do convívio – Paulo Batista – quando apresentava os convidados moçambicanos e solicitava a sua presença no palco!



O Dr. Enoque João quando discursava!



A Dr.ª Sara Mulinde encantou os presentes com a sua alegria e descontracção!



Troco impressões com o Dr. Enoque João, após o seu discurso! (foto do amigo Dinis)

Outro momento que merece ser aqui referido e louvado, foi a oferta de um quadro do artista leiriense, Dinis de Oliveira Marques, que foi sorteado em benefício da ACRENARMO.

Aproveito para agradecer a este bom amigo a sua colaboração na cobertura fotográfica e fornecimento de dados que ajudaram a compor esta modesta informação.



O quadro oferecido à ACRENARMO por Dinis Marques



O Amigo Dinis – uma vida com muito para contar!

Aproveitado a feliz oportunidade de estar reunido um tão elevado número de pessoas naturais e ex-residentes de Moçambique, tomei a iniciativa de apresentar no convívio uma pequena mostra do Parque Nacional da Gorongosa, com o tema “RECORDAR MOÇAMBIQUE – RECORDAR GORONGOSA”. Utilizei para tal o material (cartazes e panfletos), que vou trazendo de Moçambique nas minhas regulares visitas à família que lá vive, bem como cópias de documentos informativos extraídas do site do Parque, www.gorongosa.net. Pela curiosidade que o mesmo despertou, julgo que atingi os meus objectivos que eram a divulgação deste maravilhoso santuário da vida bravia, outrora “sala de visitas de Moçambique” e considerado o melhor e mais bonito de África, que felizmente está em franca recuperação graças à correcta política conservacionista do governo do país e à generosidade do filantropo americano Greg Carr e da sua excelente equipa onde se destaca o nosso compatriota Vasco Galante.



Dispensa legenda!



No início do convívio a Mostra esteve exposta na esplanada onde despertou o interesse das pessoas!



Junto da Mostra (agora no interior do pavilhão), com os irmãos moçambicanos!



A Dr.ª Sara Mulinde transmitindo-me as suas impressões!

Está de parabéns a direcção da ACRENARMO, presidida pelo simpático Paulo Batista, pela excelente organização deste evento que foi divulgado atempadamente no seu Blogue http://acrenarmo.blogspot.com/. Com efeito, quero salientar a acertada escolha do local do convívio, a bela Quinta dos Lagos, no Vale do Horto, um dos melhores complexos para festas do género da região de Leiria e, também, pelo excelente serviço hoteleiro ali servido, não faltando a música africana ao vivo executada por profissionais moçambicanos radicados em Portugal!

Julgando interpretar o sentimento de todos os presentes, quero deixar aqui um OBRIGADO ao Paulo e seus colaboradores directos, Teresa Malaquias (sua Esposa), Helena Sapinho, Rodrigo Paz, José Carvalheira e Graça Sapinho, Idílio Pereira e Ducílio Sapinho, que pelo seu esforço e dedicação nos permitiu este agradável encontro comemorativo do 25º aniversário da ACRENARMO!






Aspecto da esplanada do complexo Quinta dos Lagos no momento em que iniciava o convívio






Alguns recantos do salão estavam decorados com as bonitas capulanas de Moçambique!



Melhor que as palavras, as fotos dão uma boa ideia deste memorável encontro!



Amor (Leiria), 14 de Novembro de 2009



Celestino Gonçalves



VÍDEOS DO AMIGO DINIS


Três dias depois desta postagem, o nosso amigo Dinis Marques divulgou os vídeos que efectuou no dia do convívio. Vale a pena ver pois dão uma imagem mais abrangente e mais viva do evento!

Parabéns Dinis e obrigado pelas palavras amigas que lá deixaste a meu respeito!

Aqui ficam os respectivos Links:








25 Anos da Acrenarmo


No passado dia 12/12/09 juntaram-se na Quinta dos Lagos para a comemoração dos 25 anos da Acrenarmo - Associação Cultural e Recreativa dos Naturais e Ex-residentes de Moçambique, mais de 200 pessoas para um almoço convívio. Foram muitos os amigos e personalidades presentes, dos quais destacamos Enoque João (presidente da Casa de Moçambique), Romão Félix (o tão amado “Parafuso”), Ducílio Sapinho (Sócio n.º1 e Co-Fundador da Acrenarmo) e muitos outros amigos detêm igual importância.


Paulo Batista, presidente da Acrenarmo, e Enoque João, presidente da Casa de Moçambique, debateram impressões e intenções de colaboração e parcerias futuras entre instituições ao nível de acções culturais e solidárias.

Durante o convívio, foi possível ouvir musica ao vivo e danças africanas, projecção de imagens de Moçambique e a tão esperada actuação do “Parafuso” que levou as lágrimas da saudade a muitos presentes.

Também a direcção da Acrenarmo, não deixou passar a ocasião de homenagear todas as direcções anteriores nas pessoas dos ex-presidentes presentes.

Ainda neste convívio, foi revelada a parceria da Acrenarmo com a empresa Coimbratur, que consiste na criação de condições favoráveis para que os sócios da Acrenarmo beneficiem de vantagens financeiras, e programas exclusivos de viagens nacionais e internacionais.

Neste âmbito foi apresentada aos sócios, no âmbito do 25º aniversário da Acrenarmo, uma viagem para o mês de Abril de 2010 a Moçambique que promete afogar muita saudade a quem sonha lá voltar.

Assim, as mais de 200 pessoas que estiveram neste convívio deixam, como pronuncio para o próximo evento uma adesão ainda mais notória e significativa.

Nota:  reportagem fotográfica do lado esquerdo do blog, à qual vamos juntando as fotos que os convidados forem mandando.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Histórias de um passado em Moçambique - "O discreto treinador da equipa-maravilha de Moçambique que venceu o Mundo em Montreux ( 1958 )"

Por

Carlos Pinto Coelho

O discreto treinador da equipa-maravilha de Moçambique que venceu o Mundo em Montreux ( 1958 )

(O meu tio Armando)


De repente, o meu tio Armando era um herói. Fazem ideia do que é ter 14 anos de idade e um tio herói? Pois eu conto.


Estava-se na Lourenço Marques dos anos 50. O irmão de minha mãe Sara chamava-se Armando de Lima Abreu e vivia lá em casa, longe da sua mulher e filha, que tinham ficado em Oeiras. Muito magro, alto, aloirado, de nariz delgado onde se encaixavam uns óculos de aros finos, era o homem mais calmo que jamais conheci. Falava em voz branda, sorria com facilidade e tinha paciência para mim. Eu gostava do tio Armando.

Pois o tio Armando trabalhava no Sindicato, era lá escriturário, acho eu, que era muito miúdo para saber dessas coisas. Sei que o via sair todas as manhãs cedinho, a tomar o autocarro da carreira 3 que ia da Polana para a Baixa e o deixava mais adiante, na Pinheiro Chagas, que era onde ficava o S.N.E.C.I. ( Sindicato Nacional dos Empregados do Comércio e Indústria ).

Ao cair da tarde já toda a gente estava em casa, o meu pai trabalhando processos do Tribunal da Relação, a minha mãe metida na biblioteca lendo ou escrevendo livros, o meu irmão José ouvindo música, eu às voltas com os trabalhos do colégio dos Maristas. Só o tio Armando é que nunca estava. E nós sabíamos porquê: ele andava pelo ringue de patinagem do Sindicato a ensinar os putos a andar de patins e a dar esticadas numa bola pequenina, preta e rija como madeira. Era assim todos os dias, às seis da tarde o meu tio vestia calças compridas brancas e camisa branca de manga curta, impecavelmente engomadas lá em casa, calçava sapatilhas também brancas e ia para a sua paixão, nascida em Paço d’Arcos e nos seus copos com Jesus Correia e Correia dos Santos e sei lá quem mais: o Hóquei em Patins. Acho que o meu tio nunca gostou verdadeiramente de mais nada senão da filha Fátima, que trazia na carteira em fotografia, e do hóquei. Eu achava tudo bem, porque ele tinha paciência para me ouvir.

Durante mais de uma década aquele homem dedicou integralmente os seus tempos livres, as suas forças e o melhor do seu entusiasmo a ensinar jovens a equilibrarem-se nos patins, a coordenarem movimentos e a usarem a cabeça para se articularem uns com os outros como uma verdadeira equipa deve fazer. Ele era, sem pompas nem cargos, um meticuloso formador, dirigente e treinador. E sem ganhar um tostão ! Era tudo amor à camisola, tudo pago do bolso de cada um. Quando saltava uma roda de patim, a malta quotizava-se para comprar outra. As camisolas e os calções eram oferecidos pela fábrica de malhas da cidade e, como só havia uma, ela tinha de dar equipamento para todos os clubes: o Malhangalene, o Desportivo, o Ferroviário… todos.

Eu tinha 14 anos, como já disse. Para mim o que valia eram o voleibol, onde eu era campeão do meu colégio, e a piscina, onde havia gajas boas. De modo que raras vezes fui ver os treinos do tio Armando, onde em vez de gajas havia uns tipos que não me interessavam a ponta de um chifre, e que se chamavam Fernando Adrião, Amadeu Bouçós, Francisco Velasco, Alberto Moreira e Manuel Carrêlo, entre outros.

Lembro-me bem de uma noite em que o tio Armando se fez esperar mais do que o habitual e minha mãe tinha um empadão a murchar no forno. Ele chegou tarde, desolado, porque tivera de levar um dos seus “ miúdos” ao hospital (de resto muito perto do Sindicato), com uma entorse num tornozelo durante o treino. A minha mãe seria uma santa mulher mas flor de estufa não era quanto a pontualidades. De maneira que houve mesmo patanisca, por causa do Bouçós ( ou foi o Velasco, já não sei ) que se magoou no ringue, naquele fim de tarde.

Até que um dia, tinha eu 14 anos, repito, o meu tio desapareceu de casa durante umas semanas e regressou herói. Tinha ido lá a Portugal com os seus miúdos e depois foram para a Suíça (fui ver no Atlas onde ficava) e ganharam a jogar contra o mundo inteiro. O tio Armando tinha levado as suas sapatilhas e roupa branca e era treinador da equipa de hóquei em patins que vencera o mundo representando Portugal no Torneio de Montreux. Em 1958 isso era deveras importante.

Houve uma multidão à espera deles todos, no aeroporto de Lourenço Marques (chamava-se Aeroporto de Mavalane). E publicaram-lhes fotografias nos jornais “ Notícias “ e “ Diário “ (ou seja, na Imprensa inteira) eram campeões do mundo, até falaram no Rádio Clube de Moçambique e tudo. Os putos-campeões disseram muitas vezes que deviam tudo ao tio Armando, mas nenhum jornalista quis ouvir o que ele próprio tivesse para dizer. E ele não se importou com isso. Estava mesmo feliz. À maneira dele, calmo e discreto. Mesmo assim, durante uns dias, eu vi como os vizinhos lhe davam abraços, de manhã, quando ele ia apanhar o autocarro para o Sindicato. Por isso, e porque lá em casa foi uma festa pegada de empadões, eu percebi que tinha um tio herói.

Armando de Lima Abreu ficou por Moçambique depois da independência e dizem-me que por lá morreu, sozinho, sem glória nem fortuna, e sem dar sinal de vida a todos nós, que entretanto tínhamos vindo para Portugal.

Eu tinha 14 anos nesse ano de 1958, como acho que já disse. Mas agora, que sou mais velho, fui à página que a Federação Portuguesa de Patinagem tem na Internet e pedi para ver a fotografia dessa equipa-maravilha que veio de Moçambique vestir a camisola de Portugal no Torneio de Montreux, com o meu tio Armando como treinador nacional. A fotografia está lá. O Velasco, o Bouçós, eles todos. Mas o meu tio não está na fotografia dos campeões. Acho que é porque ele, na altura, era só um escriturário do Sindicato.

Gosto muito do meu tio Armando, sabem? Ele tinha paciência para mim.

Carlos Pinto Coelho

Jornalista


Resp. Paulo Batista : Carlos, consegui por intermédio do Pedro Antunes e do Rogério (Roger Tutinegra) a foto que pretendias onde aparece o teu tio Armando de Lima Abreu, junto dos seus companheiros de equipa. Os meu agradecimento a eles por se terem disponibilizado a ajudar.